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日志


Continuidade

No final de Outubro de 2007, minha "viagem ao redor do mundo", cujo tema foi VINHO, encerrou.

Porém minha sede por aprendizado e conhecimento não.

Pretendo continuar este blog, como um relato deste meu aprendizado, o que espero seja útil de alguma maneira à outras pessoas também amantes do vinho.

Continuarei relatando minhas experiências no idioma inglês, pois acredito que esta é uma maneira de alcançar um número maior de pessoas.

Então, se quiseres alguma informação ou tiveres um comentário em Português, podes me contatar por e-mail e responderei assim que possível.

Participe!

Tim tim,
Márcia Amaral
roundthewineworld@hotmail.com

Muirlea Rise (Martinborough)

A segunda visita em Martinborough foi um bom exemplar da região.
Muirlea Rise é uma pequena vinícola fundada por Willie Brown, um antigo comerciante que tornou-se vinicultor, e que é administrada agora por seu filho Shawn.
Shawn tem um senso de humor de sua origem escocesa, o que fez nossa visita muito divertida.
 
Ele compartilhou conosco seu interesse pelo o vinho, que somente descobriu apenas depois que seus 30 anos - como acontecem para a maioria de nós todos.
Depois que seu pai faleceu, Shawn assumiu o negócio e está mantendo vivo o que era para o seu pai uma grande paixão: "acredito que cada única fileira das videiras tinha próprio nome" - Shawn disse referindo-se do entusiasmo de seu pai, ao mostrar os vinhedos e ao explicar sobre as técnicas empregadas, enquanto pássaros constantemente voavam em bandos como cenário de fundo.
Em um lugar pequeno e simples, nós provamos os vinhos, todos tintos e não filtrados do estabelecimento. Entre eles um Pinot Noir 2000; Cabernet Blend 2001 e o Mareth 2001 (estilo do corte de Bordeaux). Todos vinhos apresentam um bom equilíbrio, boa finalização e, a última amostra eu guardaria pacientemente por alguns an os mais para revelar toda sua beleza.

Alana Estate (Martinborough)

Martinborough esta a uma curta distância de Wellington, cerca de uma hora de trem.
Peguei o trem no centro da capital do país e as 10:20h estiva em Featherson, pronta a juntar me ao grupo do passeio turístico a região do vinho.
Como chegamos um pouco antes do horário que as vinícolas abrem suas portas ao público, nós fomos convidados a tomar um café em um lanchonete local - o que caiu muito bem como um “despertador”.
O grupo era em sua maioria de australianos, com exceção da guia: uma senhora nativa que esta no negócio por 7 anos; e de mim obviamente.
A primeira propriedade que visitamos foi Alana.
O estabelecimento foi construído em 3 níveis, aproveitando-se do declive do terreno e a gravidade para dividir os processos de fabricação por níveis, utilizando-se do piso superior para o início do processo e o final para sua finalização.Os vinhos apresentaram-se no estilo que se esperaria na Nova Zelândia. Aparte do Sauvignon Blanc 2006 que apresenta o sabor de seus depósitos naturais (lees), diminuindo assim o sabor frutado.
O Pinot Noir, Taupapa, 2004 teve um sabor de geléia de morango e tem potencial para envelhecer bem.
O empreendimento todo dá uma atenção especial a “boa mesa” e o cardápio do restaurante é elaborado com características para complementar os vinhos.É também um bom local para um lanche, onde sempre se esta rodeado pelas videiras e as flores, estas também muito uteis para distrair insetos e mantê-los longe do que realmente importa: uvas.

Gisborne

Localizada no extremo leste do país e o mais próximo da imaginária linha que determina a divisão internacional dos dias, Gisborne possui as videiras que primeiro vem o sol nascer.
A região recebe elevadas horas da luz do sol nas planícies litorais que são protegidas do oeste por uma escala de montanhas. Os solos incluem subsolos arenosos ou vulcânicos com argila de fertilidade moderada. Os vinhedos são situados predominantemente nas planícies.
As uvas crescem na região desde desde os primeiros cultivos, na parte traseira de Manatuke, nos idos de 1850. Porem, coube a Montana (parte agora da grupo internacional Pernod Rocard) conduzir à maneira moderna, que tem cultivado Chardonnay nas planícies que cercam a cidade por mais de 30 anos.
Chardonnay ocupa em torno da metade dos vinhedos de Gisborne, que é considerada a capital do Chardonnay na Nova Zelândia. A outra grande parte do volume é de variedades brancas, deixando as uvas vermelhas uma parte de somente 10%.
Gisborne situa-se na junção de três rios, na borda da única quantidade considerável de terra lisa e, cercada por montanhas.
As videiras em Gisborne têm o título de "primeiramente para ver a luz" no mundo.

Fonte de Informação:http://www.nzwine.com/ 

Martinborough

Wellington é o nome oficial para a grande região que ocupa a seção do sul da ilha do norte.

Wairarapa, no lado oriental mais baixo da região, é o único distrito do vinho de Wellington. Martinborough, além de ser uma cidade, é também a área conhecida como a mais antiga e de melhor vinho dentro da região de Wairarapa.

Wairarapa - que em Maori significa ‘lugar de águas brilhantes’, é o lugar para vinhos boutique no país, propriedades pequenas sob comando familiar, de fabricantes apaixonados por vinho e generoso sol, focalizadas em produzir mais qualidade que quantidade, rendimentos relativamente pequenos permitem aos viticultores se dedicarem a elaboração de vinhos superiores. Localizada em um terraço de um antigo rio, com profundidade e livre drenagem, Martinborough tem baixa precipitação de chuva, verões quentes e um outono longo, seco. É a consistência do outono da região que acredita-se fornecer contrapeso para os dias quentes (que desenvolvem a maturidade) e das noites frescas (que equilibram a elegância).

Os vinhos da região são considerados com boa concentração, textura e excelente profundidade, devido aos níveis baixos de produção e às qualidades originais do solo e do clima da área.

Pinot Noir é a mais plantada e certamente a mais aclamada variedade da região. O sucesso do Pinot Noir de Martinborough tem conexão direta com o desenvolvimento rápido desta.

Oficialmente, sexta maior região produtora da Nova Zelândia, Wellington é pequena em termos de produção porem com grande contribuição à reputação da qualidade vitivinícola do país.

 

Informação extraída de http://www.nzwine.com/regions/ e do Guia de Wairarapa 2006/7.

Baía de Hawkes

A Baía de Hawkes é a segunda maior região na viticultura do país e tem uma respeitada história de 100 anos.
Apresenta topografia variada e com larga escala de tipos do solo, produz uma diversidade considerável de estilos do vinho nesta grande região.
Há 22 categorias de tipos do solo nas planícies de Heretaunga sozinha.
Os períodos de maturação de uma única variedade da uva podem variar em até três semanas entre o quente solo pedregoso de Gimblett Road aos altos vinhedos, mais frescos, da região central Baía de Hawkes.
Chardonnay é a variedade mais extensamente plantada, mas as longas horas de luz do sol atraem uma porcentagem elevada de variedades da uva preta tais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah, também como o Pinot Noir. Sauvignon Blanc é a outra principal variedade branca, complementada por Pinot Gris, Gewürztraminer, Riesling, Semillon e Viogner, encontrado também.
É um ótimo lugar par visitar-se vinícolas; com 32 destas abertas ao público; situado na vizinhança das cidades de Napier, Taradale, Flaxmere, Hastings e Havelock North.

Informação extraída principalmente de: Web site http://www.nzwine.com/regions/ e Guia de Vinícolas da Região.

Mission Estate

Nós chegamos na vinícola em um espaço curto de tempo, porem perdemos o horário da visitação, mas acredito que uma excursão ao dia é o suficiente - Então, tudo tranquilo.

A Mission é o produtor mais antigo de vinho da Nova Zelândia (fundado em 1851 pelo sacerdote francês Lampila, todavia em local diferente) situa-se nas inclinações ensolaradas do subúrbio de Napier, em Greenmeadows. Faz parte da propriedade um prédio gracioso de estilo colonial que foi anteriormente um seminário católico. Estabelecida para fornecer vinho sacramental - e o vinho para as refeições dos Maristas, a vinícola teve foi administrada para mais de um século por sacerdotes e irmãos.

A propriedade é linda, oferecendo várias opções para eventos, o que tem sido uma característica constante dos estabelecimentos que tenho visitado país, onde o negócio tem uma cara multifuncional.Os vinhos, feitos pelo enólogo Paul Mooney, tem sua matéria-prima dos vinhedos de diversas localidades da baía de Hawke e representam uma mostra dos estilos da região.

Eu experimentei uma grande variedade de seus vinhos e a maioria deles são bons. Para seus melhores exemplares, há a indicação de origem - uma outra similaridade que Nova Zelândia tem com "o velho mundo", como o cascalho de Gimblet, para o Merlot 2005 e Jewelston para a mistura Cabernet - Merlot 2004.
Um vinho que mostra bem as características da região é o Reserva Syrah 2005 (cascalho de Gimblet), que tem um aroma forte da pimenta.
Como eu demonstrei algum interesse em um vinho de sobremesa denominado "ice wine" (vinho do gelo) ele foi oferecido para que eu o prova-se. Entretanto, na verdade, não é um "ice wine”, pelo simples motivo de que não há clima suficientemente gelado na região para produzi-lo de sua forma natural. Em conseqüência, eles “simulam” esta condição congelando as uvas para produzir o vinho. Eu nunca tive o privilégio de experimentar um legitimo, então decidi assim comprar a "falsificação" e compartilhar com minha parceira de viagem após um jantar que fiz para comemorarmos (ou bebemorarmos) nosso dia, curiosa para saber o que a Austríaca poderia pensar do vinho e ouvir alguns comentários de alguém que vem de um país onde os “ice wines” são naturalmente produzidos.

Miriam pareceu gastar dele, declarando que era "um ótimo ‘ice wine’". Eu ainda não sei o disse apenas para ser amável ou se por gostar de vinhos doces ou porque este era realmente bom, visto que, em minha opinião não tinha nada de extraordinário.

Eis que a curiosidade de provar um “ice wine” foi saciada com o "forjado" temporariamente.

Church Road Winery

Eu cheguei em Napier (Baía de Hawke) uma charmosa cidade de estilo Arte-Deco, em 17 de abril e, aproveitei o dia seguinte para explorar o lugar e sua história.

O caráter de anos 30 não é uma coisa ocasional, ele foi escolhido como uma nova face à cidade que foi destruída quase completamente em 1931 por um terremoto.

Depois de uma jornada curta de carro, desde o centro da cidade, cheguei a Church Road Winery acompanhada de minha Austríaca parceira de viagem, Mirian, uma austríaca, que não estava tão interessada em vinho quanto eu - não bebeu um único gole - mas acompanhou-me na visita de qualquer forma.

A vinícola é um das mais antigas na baía de Hawke, fundada em 1897 pelo irmão Marista Bartholomew Steinmetz. O então assistente de Steinmetz, no ano de 1960, Tom MacDonald, elaborou uma série de vinhos baseados em Cabernet Sauvignon - uma realização comemorada no vinho tinto de qualidade superior, chamado simplesmente "Tom".

Os vinhos da Church Road mostram uma influência francesa, parte devido a um longo relacionamento com a Cordelier, de Bordeaux. A produção não enfatiza os sabores preliminares da fruta, é elaborada visando ser uma boa parceria para comida e ter complexidade. A visita foi extremamente interessante. Além de degustação grátis, os visitantes que quiserem pagam NZ$10 para excursionar na vinícola, ver a adega imponente de “Tom MacDonald” e para visitar um museu subterrâneo do vinho com as relíquias e as antiguidades que datam à Idade do Ferro. O museu é o primeiro de seu tipo em Nova Zelândia, com uma viagem interessante pela história e as técnicas da viticultura, situado nos compartimentos subterrâneos, um dia usados como barris de concreto, a vista recria as antigas técnicas de elaboração de vinho.

Ao excursionar pela vinícola podemos observar alguns trabalhos serem feitos - nesta que a época de maior trabalho do ano. Entretanto, todos continuaram seus afazeres, incluída a equipe dos vinicultores que experimentavam amostras dos barris, e pela entusiasmada conversação, pareciam estar aprovando o que estavam provando.

Nos jardins da propriedade encontrasse um grande anfiteatro natural onde anualmente ocorrem concertos de jazz, que usualmente atrai até 8000 pessoas.

Na sala de degustação nós provamos diversas amostras dos vinhos, todos muito leais ao estilo tradicional da vinícola, incluíndo Sauvingon Blanc Cuve 2005, que tem 9 meses de carvalho e esta nadando nadando contra a corrente do estilo do Kiwi.

A maioria dos vinhos brancos repousou em seus depósitos (lees), agregando um sabor de torrada, que parecem ser uma prática na região.

Seus tintos não decepcionam e entre eles meu favorito foi um Malbec 2003, Cuve (provado também por um argentino, que estiva no grupo e não fez nenhum comentário), que tem algumas notas de chocolate, bom balanco dos taninos e era maravilhoso.

Como eu vi algumas das uvas que ainda nas videiras, esperando a colheita tardia, eu me ofereci para ajudar fazê-la, mas sua equipe estava completa. Então eu juntei me a minha parceira de viagem, que estava estava entediada de esperar minha longa excursão pela vinícola, mas fui amável concordar mais com a uma visita - o que não era difícil considerando que a vinícola seguinte (Mission) era logo ao lado. Assim, lá fomos nós.

Correspondente

As informações sobre minha "Viagem ao Mundo do Vinho" podem ser encontradas na página da internet do Centro de Enólogos de Buenos Aires, para quem sou correspondente.
Os relatos lá contidos são basicamente os mesmos de meu blog, que contém a versão em Português, para facilitar SUA vida.

Stoneyridge Colheita

Mais uma vez, voltei a ilha mágica de Waiheke. Após ter recebido uma chamada de Chris para juntar me ao grupo de colheita e para pôr minhas mãos em algumas uvas, eu reservei albergue por dois dias na ilha e tomei meu rumo no dia seguinte.
Era uma quarta-feira bonita e ensolarada e, nos encontramos em Stoneyridge as 9 horas para a colheita. A equipe era muito diversa e eu encontrei locais, mochileiros e aventureiros em geral. Após um explicação do que exatamente estávamos buscando: apenas as uvas saudáveis - nós começamos colher das mais melhores videiras as uvas que seriam usadas produzir o vinho mais caro do país (Larose), assim, se você tiver a oportunidade de degusta-lo (Larose, 2007), saiba que foi feito com um pouquinho de minha ajuda. Nós trabalhamos duramente durante 8 horas, com um intervalo para almoço e um pouco de descanso e, após o término da colheita, um muito merecido copo de vinho.

Foi uma experiência curta e boa e, mais uma vez, aprendi um pouco mais.
Eu fui agraciada com duas garrafas do vinho Airfield, que e utilizei parcialmente - para celebrar a Pascoa e bebi bem vagarosamente para prestigiar o trabalho do qual resultou.

Até mais,

Marcia Amaral.

Villa Maria Estate

De volta a Auckland, depois viajar um pouco por Bay of Islands - uma linda parte do país, em seu extremo norte - fiz meus planos aproveitando meu tempo restante na maior cidade da Nova Zelândia e visitei uma vinícola próxima a Auckland, em Mangere.

A primeira coisa que chamou minha atenção ao entrar na propriedade; após uma caminhada curta desde a cidade de Manere; foi um aviso de que um role dos pássaros ocorria e isto significava que alguns tiros poderiam ser ouvidos. Não se proíbe o uso deste sistema de role, desde que não se mate nenhuma raça protegida tal como o Kiwi, entretanto, a uva não parece ser alimento do favorito desta espécie.

A propriedade tem uma localização única: dentro da cratera de um vulcão velho de 20.000 anos.

É muito muito negócio familiar, ganhador de muitos premiu.

George Fistonich, um dos inovadores da indústria de vinho de Nova Zelândia, iniciou Villa Maria em 1961, em uma garagem de Mangere. Hoje é a terceira maior companhia de vinho da Nova Zelândia.

Fazem parte do negócio vinícolas localizadas em Esk Valley e Hawkes Bay, e também uma grande perto de Blenheim (Marlborough).

A visita inicia pelo showroom e continua através do novíssimo edifício ganhador de prêmios e que foi projetado para utilizar ao máximo os recursos naturais, tais como o uso da luz natural e da brisa fresca. O negócio usa alta tecnologia e tem algumas técnicas que parecem ter sido introduzidas pelo “Mundo Novo”.

O winery adotou de uma filosofia de “100% tampa de rosca” que são usadas em todos seus vinhos.

Os vinhos são etiquetados para suas características, como:
Single Vineyard - escolha os vinhos do vinhedo que estão criados dos vinhedos da qualidade excepcional quando as condições da colheita permitem que estes locais expressem inteiramente suas características individuais;
Reserve - somente os vinhos da qualidade excepcional são concedidos a designação "reserva" que maturam na adega;
Cellar Selection - uma ênfase na qualidade de fruta e na manipulação mínima resulta em vinhos resultando em intensa fragrância, elegantes, alimento-amigáveis.
Private Bin - estilo de sabor generoso. É o vinho mais exportado da empresa.

Foi uma experiência agradável visitar uma vinícola da Nova Zelândia onde Neozelandeses são os responsáveis, em um tipo de atividade em que o capital externo de grandes companhias usualmente dita o negócio.

A Villa Maria é grande sim, e é orgulhosamente nacional.

Até mais,

Marcia Amaral.

Nem Tudo é Perfeito

Tenho experimentado um pouco de tudo em minha viagem ao redor do mundo, desapontamento incluído... Infelizmente, eu não poderei viajar a Austrália, não acreditaram que minhas intenções de viajar no país e de o deixar eram genuínas.

Foi triste receber a recusa, porém, nem tudo esta ao alcance de nossas mãos, então, decidi mudar minha rota e esquecer sobre o ocorrido (ainda nesse processo). Assim, eu troquei minha estada na Austrália por outro lugar que eu estou mantendo como uma surpresa, por enquanto.

Como eu tenho algum tempo extra para viajar, a outra decisão feita devia permanecer na Nova Zelândia para um pouco mais longo e aproveitar a oportunidade para aprender um pouco mais. Para tal, eu obtive o visto de trabalhador sazonal, que permite obter emprego nas áreas de horticultura e do viticultura, até setembro, porém eu fiz meus planos para permanecer aqui até o meio de julho e depois tomar meu rumo em direção a África do Sul.

Eu estou muito feliz com minhas novas decisões e penso não sentirei muita falta dos vinhos Australianos de qualquer maneira.

Auckland e Ilha de Waiheke

INTRODUção A VITICULTURA LOCAL

As vinhas pioneiras da Nova Zelândia foram plantadas em 1819, em Kerikeri, na ilha do norte. No século seguinte os esforços vinícolas quase não deram resultado. Os anos 60, entretanto, assistiram ao nascimento da indústria, com apoio do governo e a chegada de empresas internacionais. Com o aumento dos investimentos e do entusiasmo vieram melhores viticultura, cepas e vinhos.

A indústria vinícola neozelandesa fixou-se nas regiões mais quentes, ao norte, onde o amadurecimento era garantido: Auckland, na costa oeste da ilha do norte, e Hawke’s Bay, a leste, foram as fundações. Já durante os anos 70, o desafio foi ver do que a ilha do sul era capaz. Nos pontos mais frios do país foram testados com Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir.

O cultivo das primeiras vinhas em Marlborough, em 1973, foi feito pela Montana, a maior produtora neo-zelandesa, cujo cítrico Sauvignon Blanc 1980 foi uma revelação, mostrando-se um catalisador da indústria vinícola do país.

Outras regiões na ilha do sul se abriram para vitivinicultura, incluindo Nelson, Otago, Central e Canterbury. Por volta de 1990, havia quase 5000ha cultivados. Foi o começo de uma expansão que não acabou mais.

O país é um membro importante do Mercado internacional de vinhos, com de 480* vinícolas.

Atualmente a cepa mais importante é a Sauvignon Blanc com 39%* total da área total de vinhedos, sendo que a segunda variedade dominante é a Pinot Noir (18%*).

O sucesso de seus vinhos, com frescor e sabor límpidos, não acabou, porem, com a sede dos vinicultores do país por novas descobertas, o futuro de outras cepas é bastante promissora, dentre elas o Pinot Noir e também o Pinot Grigio.

PRIMEIRO CONTATO

Meu primeiro contato com o vinho local foi em uma loja no centro de Auckland. Com um desconto obtido em um guia turístico em mãos fui verificar o que a loja tinha a oferecer. O lugar (NZ Wine Makers Centre) é um pouco caro para o meu orçamento - mas tudo em NZ parece ser… A coisa a mais agradável foi encontrar o gerente, que fez uma viagem muito similar a minha: foi a América do Sul explorar as regiões do vinho – excelente compartilhar experiencias - ele deu alguma informação sobre a vizinhança de Auckland, que foi uma grande motivação para iniciar minha missão... Entretanto, eu comecei minha expedição um pouco mais ao leste, quando em um passeio com um grupo na Baía de Coromandel. Foi na semana passada, quando uma chuva forte e constante fez nossa guia mudar os planos de do roteiro de nossa excursão; sugeriu uma visita a um vinícola, como uma alternativa para as atividades ao ar livre.

Foi uma pena não poder apreciar plenamente a linda costa do leste; entretanto a idéia de visitar uma produtora de vinho soou muito bem para mim.

PURANGI ESTATE

Purangi é situado na baía do mercúrio, em uma paisagem bonita. O amigável proprietário, Robert Evans, explicou que as uvas usadas para seus vinhos não vêm da área - que não tem a condição ideal para cultivar uvas, deu explanação a tudo que nós pedimos e fez comentários sobre as dificuldades dos pequenos negócios de vinho e de uma falta da política para sua produção.

O estabelecimento produz vinho e licor de fruta. Após ter experimentado "o vinho de uva", eu degustei os “vinhos” de Kiwi e Feijoa, que foram os melhores exemplares da produção da propriedade.

ILHA DE WAIHEKE

A lindíssima ilha localiza-se a 40 minutos de Auckland por balsa, e é um destino muito popular. Construiu uma reputação para o vinho tinto fino e, desde os anos 80 experientes profissionais têm produzido vinhos aclamados no mundo todo, particularmente vinhos de corte de Cabernet Sauvignon e de Merlot. Muitos destes vinhos ganharam diversos prêmios e, podem somente ser encontrados em Waiheke ou em alguns dos restaurantes mais finos ao redor do mundo.A ilha tem um clima ameno, seco, similar ao de Bordeux e é visível e "bebível" a similaridade dos estilos entre as duas regiões, ambos influenciados pelo clima marítimo.

* Informação do site http://www.winesofnz.com/Info.aspx realtivas a 2006.

Com uma boa e influente revista em mãos (Cuisine wine country), que havia comprado recentemente, planejei minha rota de visitas na ilha. Considerei primeiramente as vinícolas abertas ao público - por razões óbvias, e então essas selecionei ao que poderia visitar usando transporte público ou caminhando- por causa mais evidente, e entre estas as que tem diferencem-se entre si, para ter uma idéia mais ampla.
Assim que eu cheguei em terra firme, busquei no centro de informações um mapa das vinícolas, que combinei as informações com um mapa para caminhadas, e decidi visitar primeiramente a localidade mais distante que pudesse alcançar com o ônibus local.


STONYRIDGE WINERY
Meu começo não poderia ser um melhor, me senti entre amigos lá. Toda a equipe de funcionários era agradável e realmente amigável, demonstrando gostar do que fazem e identificar com o negócio. Eu tive a oportunidade de ter conversas informais com o gerente do vinhedo e também com o proprietário, Stephen White - quem aparente ter um envolvimento completo com o negócio e demonstra uma grande simplicidade.


O lugar é bastante diversificado; produz vinhos finos e azeite de oliva que foram merecedores de premio; tem um charmoso restaurante e também um café de onde pode-se contemplar a paisagem e vinhedo, também ali ocorrem festas que são organizadas ocasionalmente.
Os visitantes recebem boas-vindas com uma taca do Church Bay, Chardonnay 2006 - na correta temperatura de ser servido, e são convidados então para seguir a guia pela propriedade, onde nós ouvimos um pouco a respeito das técnicas de produção utilizadas, pudemos apreciar o cenário e ainda, ver e tocar em uma árvore de cortiça!
Em sua adega nós provamos o Airfield 2004, um vinho de corte no estilo Bordeaux, qualificado com “segunda linha”, que tranquilamente poderia competir com alguns outro vinhos considerados de “primeira- linha”.

Depois que nós terminamos a excursão eu me presenteei com uma taca do Stonyridge Pilgrim 2005, que é um vinho de corte no estilo de Rhone com Syrah, de Grenache e de Mouvedre.
O local faz os vinhos maravilhosos, todos orgânicos, que são mais caros do que os vinhos em geral da Nova Zelândia geralmente. Então, eu estava contente de ter a oportunidade de prová-los onde suas uvas encantadoras crescem.

GOLDWATER ESTATE
Fundada em 1978, a propriedade Goldwater abriu caminho para produção de vinho na ilha (Cabernet, Merlot, Franc e Chardonnay) e também Marlborough (Sauvignon Blanc e Chardonnay) e a Baía de Hawke (Merlot e Cabernet).
Quase todos seus vinhos têm envelhecimento em madeira, aparte do Sauvignon Blanc que é elaborado no conhecido de Marlborough, preservando o frescor e presença marcante de frutas. O Chardonnay tem carvalho, mas com caráter diferente dos exemplares que provei na Califórnia. A empresa tem um olho no mercado interno e outro no mercado estrangeiro e, têm exportado com sucesso principalmente para o Reino Unido e Japão.
No dia que visitei Goldwater, ocorria um evento anual que é bastante concorrido e apreciado: uma refeição 10 pratos que se estende por toda tarde. Como eu não tinha tanta fome assim eu preferi admirar a vista do alto do monte, onde uma árvore nativa chamada Pohutukawa encontra-se e dá inspirações aos amantes de natureza. A vista que da Baía de Putiki é lindíssima.

CABLE BAY
Mais uma vez, depois que um passeio curto de ônibus e um pouco de caminhada, estava outra vez entre as uvas, desta vez na novíssima propriedade de Cable Bay. O edifício novo com um restaurante; bar; sala de degustação e outras de eventos; teve sua obra finalizada no começo deste ano.
A vista desde o estabelecimento não decepciona e, pode-se apreciar seus vinhos admirando a Church Bay.
Por uma pequena tarifa você pode provar 7 vinhos diferentes, com uvas provenientes de sua propriedade local e também de Marlborough.

Sua lista de vinhos é bem variada. Todos seus vinhos têm envelhecimento em carvalho, incluído o Sauvignon Blanc ocultando o caráter associado a uva daquela localidade. O Pinot Noir 2005 era encantador. Porém seu melhor vinho não pude provar, pois "o vinho reserva" - que é feito das mais melhores uvas relativas aos melhores anos, não está disponível na degustação que pena.
Eu terminei minha excursão na ilha mágica, fazendo o que todos amam fazer na Nova Zelândia - incluindo os locais: tramping! É o que outro se chama “caminha de trilha”, mas você pode apenas fazer “tramping” a maneira que os kiwis o fazem, se estas aqui!

AUCKLAND FOOD AND WINE FESTIVAL
Uma maneira boa de se encontrar a produção local e os produtores é visitando uma feira. Bem, como Auckland é a maior cidade do país, sua maneira de fazê-lo é um festival.
Lá eu estava, em um dia razoavelmente bom de um agradável sábado. Após ter pagado à entrada, que incluiu uma taca de vinho, muitas provas de produtos locais como queijo e salames e o direito de comprar vinho...
Muito importantes produtores de vinho estavam lá representados e, eu experimentei alguns de seus vinhos, buscando provar algo novo. Eu tive uma boa surpresa, provei um Viognier 2005 da propriedade de Te Mata, que foi quem introduziu a cepa na Nova Zelândia. Eu estava contente ao tido escolhido acima algo fora do ordinário e que por sinal era muito bom.
O festival é popular entre os nativos e também forasteiros e, tem um bom programa de atividade, com apresentações musicais e também palestras. A palestra que presenciei foi de um sommelier francês, que emigrou para Nova Zelândia e falou sobre a combinação vinho e comida, vinhos Neozelandeses na sua maioria - um francês reconhecendo o talento
não-francês!

ENFEITIÇADA
A ilha de Waiheke é conhecida como “mágica”, sera que me enfeitiçou?
A verdade é que eu gostei muito e decidi ir voltar no domingo.
Iniciei a explorar a área por uma vinícola que estava fechada para visitas. Mas não foi má sorte, pois quando eu cheguei os trabalhadores da vinícola estavam, literalmente, com a mão na massa, trabalhando, mas, ainda encontraram tempo para uma conversa. D
epois
de uma excursão auto-guiada através do vinhedo, onde eu pude observar que a maioria das uvas não tinham sido colhidas.
Os trabalhadores estavam em uma equipe de dois, um deles kiwi e outro francês (mais um!! É uma invasão francesa?) e tomei proveito da cordialidade da conversa para fazer umas poucas perguntas sobre o trabalho. Um delas foi relacionado às uvas que estão na videira e a alguma já começaram a murchar. Explicaram que isto era proposital para compensar o açúcar diluído com a chuva forte dos últimos dias, mas a colheita para os próximos dias.

Aprendida a lição, rumei para a próxima visita que era na verdade bem próxima.

TE MOTU VINEYARDS
Apenas 500 metros Saratoga de Te Motu, mas a distância no estilo é imensa.
Um dos proprietários foi quem me apresentou as vinhos para degustação e quando eu comecei fazer perguntas regulares sobre o negócio, ele apontou seu vinho em destaque no livro do "Confrontation Grands Bordeaux 1996 et assemblage Bordelais (vins etrangers)" onde seu vinho Te Motu 1999 alcançou a pontuação de 16.5/19 dando a entender que aquilo era tudo que eu deveria saber sobre seu vinho.
Não me sentindo muito a vontade, eu escolhi experimentar um Dunleavy 2002, corte de Cabernet e Merlot, feito com as uvas colhidas a mão, que tem o controle de sua baixa produção.
O vinho era bom e ainda em desenvolvimento. Seria agradável prová-lo outra vez em um par de anos.
Admirando seu vinho mas não seu serviço, eu sai do lugar para meu almoço no centro da cidade e o início da tarde eu dediquei ao turismo - hey, eu sou ser humano! Logo após, minha última visita a uma vinícola por enquanto!

MUDBRICK VINEYARDS

Eu não visitei a vinícola no melhor momento: era quase hora de encerrar o expediente. Assim, eu não tive tanta atenção e recebi os vinhos brancos em temperatura ambiente, que removeu algum do brilho e gosto - da visita.
Entretanto, foi uma experiência boa. A guia era conhecedora do assunto e sabia o que oferecia isto faz uma enorme diferença.
Se paga NZ$5 e desguta 8 vinhos!! - um bom negócio. Foi interessante também a degustação vertical onde se tem a possibilidade de comparar 3 anos diferentes do mesmo vinho (2003, 2004 e 2005 do corte ao estilo Bordeaux).

Provar sua Reserva Syrah 2005 foi um prazer. Eu, que não morro de amores pela variedade, adorei. Tinha aroma de terra e era cheio das frutas pretas que brincavam no paladar por um longo tempo.

Para terminar meu dia na ilha, eu senti na sacada da vinícola contemplando a vista, que é, até o presente momento, a mais linda da ilha, ou estaria eu enfeitiçada.

Até mais,
Marcia Amaral

Chile II (03/2007)

Voltei ao Chile com o entusiasmo de encontrar muitas vinícolas as quais visitar em os meus poucos dias restantes na América Latina. Porem, para minha decepção, quanto do cheguei na cidade de Curicó, descobri que as vinícolas não aceitam visitas sem a reserva de no mínimo um dia de antecedência, sendo a una opção Miguel Torres.

Aceitei minha falta de sorte combinada com a consciência de um melhor planejamento e decidi ficar na cidade naquele dia, fazer a visita e tentar a sorte em outra localidade no dia seguinte, que para dar não dar uma mãozinha ao azar, tratei de fazer todos os contatos possíveis com antecedência.

 

MIGUEL TORRES

Chegar a Vinícola é fácil, basta tomar um ônibus local no centro de Curicó e em 10 minutos se esta na localidade.
Não ha necessidade de reserva eis porque eu consegui a visita... e eles tem uma ótima visita guiada que inicia a cada hora com um video corporativo.A família Torres tem tradição vinícola que trouxe da Espanha para o Chile em 1979.
O investimento na região é alto e o próprio Dom Miguel Torres Carbo, proprietário e fundador, faz questão de participar de momentos importantes das atividades.
Ele também é um ativo participante e promovedor da Festa da Vindima da cidade (que este ano ocorreu uma semana depois da minha visita: 23-25/03).
A produção é muito variada e para tal, recebe uvas provindas de várias regiões do país, onde a vinícola possui propriedades.
Entre os vinhos esta uma produção orgânica do Cabernet Sauvignon, denominada Tormenta, que atende principalmente o Mercado Norte-americano e Europeu.
A visita é muito instrutiva e o grande diferencial das outras vinícolas e, que pode-se visitar um “jardim de variedades” de onde pode-se colher exemplares de espécies de uvas utilizadas para sua produção (Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Chardonay, Gewrztraminer, Riesling, Merlot, Shiraz, Carmenere, Pinot Noir) e se ter noção do que o vinho no seu estagio mais primitivo: ainda em cápsulas...

Com uma meia-garrafa comprada, condizente com minha condição de degustadora-solitária-viajante, voltei ao albergue de
Curicó para minha última e única noite na pequena cidade.



Novo dia, nova aventura pelo mundo do vinho, desta vez no Vale do Colchagua.

 

VIU MANENT
Após chegar de ônibus desde Curicó, deixei minha bagagem no centro de informações turísticas de Santa Cruz e parti a explorar a localidade e, comprar meu bilhete de volta a Santiago.
Peguei um ônibus local e depois de 15 minutos de jornada, cheguei as proximidades da vinícola. Em um sol escaldante do meio-dia do interior do Chile, no Vale do Colchagua, caminhei por mais 15 minutos para chegar a vinícola.
Viu Manent tem uma propriedade bonita e atrativa aos visitantes e conta com uma charrete para locomoção muito bem-vindo no ensolarado dia.
Percorre-se os vinhedos e a primeira parada da charrete dá-se na vinícola, em prédio distante do de onde concentram-se o suporte de serviços (restaurante, loja, cafeteria, sala de degustação). Após uma visita bem organizada e comentada, subimos na charrete para mais uma pequena viagem até a sala de degustação.
Dos vinhos apresentados, o que mais me chamou atenção foi um Sauvigon Blanc, denominado Secreto, que tem como base a uva que lhe da nome (85%) e o restante é segredo... O vinho tinha característica muito similares as encontradas no vinhos da mesma casta de Marborough, Nova Zelândia. O que não é mero acaso, pois o enólogo que o formulou é justamente... kiwi.


Foi um ótimo passeio, um bom exemplar da produção chilena e uma ótima iniciação ao estilo neozelandês! Próxima parada: do outro lado do mundo!

Até breve América Latina!

Marcia Amaral

Mendoza II (03/2007)

Continuei minha busca por propriedades que pudesse visitar sozinha e com isto ter um contato mais próximo com os envolvidos no processo de fabricação. Porem, isto não foi no dia seguinte. No dia posterior, tomei o rumo dos vinhedos novamente com um grupo de turistas.
Desta vez foi um programa mais curto que abrangia duas vin
ícolas e uma produtora de azeite assim com outros lugares de clima parecido, a argentina eh uma grande produtora de derivados da oliveira.
 

 

BODEGAS LOPEZ


A primeira bodega visitada eh uma das maiores da regi
ão, com 1004 hectares de vinhedos proprios localizados na regiã
o de Cruz de Piedra y Lulunta em Maipu, Luja de Cuyo e Tupangato de onde a empresa extrai Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Sangiovesse, Pinot Tinto, Chardonnay, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Semillon.
Seu fundador, Jose Lopez Rivas, chegou em 1886 da Espanha e em 1898 se estabeleceu em Mendoza.
Hoje a bodega possui uma reserva de importante volumes de vinho tinto envelhecidos em toneis de carvalho franc
ês de mais de 5000 litros e para grandes compartimentos de aço inoxidá
vel para os brancos.
Com o calor intenso da regi
ão a empresa utiliza sistema de instalação muito conhecida comumente utilizado nas regiões mais quentes do Brasil: um telhado feito de bambu e barro, que mantem uma temperatura media ambiente de 200C e, numa região onde o baixo índice de chuva não eh um empecilho para este tipo de instalaçã
o.
As instala
ções impressionam pelas dimensões. Tudo parece ter proporções gigantescas. E o romântico processo de produção do vinho esta a muitos quilômetros de distancia. 
 

 

CAVAS DE DON ANTURO

Na próxima visita, na Cavas de Don Anturo localizada em Maipu, a paixão e dedicação ao vinho éramos facilmente percebidos.
Fomos recebidos pela esposa do propriet
ário cujo qual da nome a vinícola. Eh um negocio completamente e, literalmente familiar, de produção esmerada de vinhos que são tratados com uma dedicaçã
o e entusiasmo contagiantes.
O tempo naquele dia estava nublado e anunciava o que mais se teme na regi
ão: uma chuva de granizo. Porem, ao invés de trovoadas o que ouvimos foram disparos altos como de canhões, que são na verdade foguetes lançados em direção às nuvens, cada vez que existe uma ameaç
a de granizo - o maior problema dos vinhedos locais.
Conhecemos todas as instala
ções desde as instalações e, enquanto percorríamos a vinícola, o trabalho não parava nesta, pois, nesta é
poca do ano a muito a ser feito
O mosto eh fermentado no mesmo sistema que as outras vin
ícolas da regiã
o: compartimento de concreto e o vinho armazenado utilizando-se da temperatura mais amena do subsolo.
Tamanho envolvimento gera um produto excelente, demonstrado nos vinhos apresentados na degusta
ção. O grande destaque foi o Malbec, que apresentava uma harmonia grande com acentuados aromas de frutas vermelhas, o que foi em minha opiniã
o, o melhor exemplar da variedade, que eh orgulho nacional
Nos despedimos da vin
ícola e seguimos em direção a cidade, acompanhados de uma chuva tranquila graças à tecnologia!

O próximo dia, quarta-feira, dediquei ao turismo de aventura o que eh excepcional! Cavalgada aos pés dos Andes, almoço típico e para encerrar descer o rio Mendoza de rafting fizeram deste passeio um dia para relembrar.

À noite, visitei uma instituição por indicação do dono do albergue no qual estava hospedada, que ao ver meu interesse por vinho me presenteou com um ingresso de visitaçã
o a The Wines of Mendoza.
O lugar eh um empreendimento que conta com salas de degusta
ção, com uma ótima seleção de pequenas bodegas com as quais tem uma grande parceria. Também faz parte do negócio uma área vitivinícola que vende pequenas frações desta área a amadores que pagam para receber toda assessoria profissional e terem condições de produzirem seu próprio vinho.Demonstrei meu interesse por vinho o que possibilitou uma grande abertura de quem estava me assessorando na degustação, em resultado, obtive ótimas dicas para visitar uma pequena vinícola, onde o próprio dono costuma ser o guia da visita. Era tudo que eu precisa para terminar o dia tão bem quanto começou.

 

CARMELO PATTI

No meu último dia de visitas em Menodoza, acordei cedo e segui novamente em direção a Lujan de Cujo, distante não mais que 30 km do Centro de Mendoza. Finalmente... descobri que o transporte público leva até a porta de muitas vinícolas.Como havia chegado cedo, aproveitei para caminhar um pouco pelas redondezas antes de iniciar minha visita. O pequeno vilarejo não tem muito a oferecer, além dos vinhos excelentes o que não verdade eh mais do que suficiente.
Ao chegar a vin
ícola de propriedade de Carmelo Patti, o calor da acolhida pelo proprietário da uma noção do que encontrar no estabelecimento: muita dedicaçã
o e comprometimento em produzir um produto distinto de alta qualidade.
Iniciei minha visita como
única visitante, mas logo juntou-se ao grupo um casal de Americanos, que tinham como maior interesse gastar os dólares em uma boutique winery

Carmelo demonstrou sua personalidade cativante e entusiasmada durante todo o tempo em que percorremos as instala
ções e sempre acrescentava informaçõ
es de quem tem experiencia de anos entre vinhedos.
Ele
é, como muitos já o mencionaram, um personagem. Participa de todos os processos que a produçã
o envolve e se orgulha de seu comprometimento.
O resultado eh um vinho ao estilo tradicional, um pouco diferente da tend
ência local, de ótima qualidade, que já recebeu vários prêmios e não tem pretensão alguma de aumentar a produçã
o, pois manter a qualidade eh sua meta principal
Carmelo n
ão possui vinhedos próprios, mas supervisiona todas as vinhas das quais compra as uvas para sua produção. Entre as castas estão Malbec e Cabernet Sauvignon, este último na melhor expressã
o que o terroir de Mendoza pode produzir
Depois do final da
imersão na vinícola, eu continuei minha conversa de uma maneira bem informal com o senhor Patti, que eh não somente um ótimo produtor de vinho, mas també
m uma criatura encantadora.
Me brindou com conhecimentos de anos de experiencia e a simplicidade de um aprendiz. Sua humildade e carinho em rela
çã
o ao trabalho, me tocaram
Com a boa recorda
ção de minha visita a Carmelo Patti me despedi da região viní
cola que me fez sentir privilegiado por compartilhar do lugar, conviver com as pessoas, provar a comida, degustar os vinhos.


 

Salud Mendoza!

 

Marcia Amaral

Mendoza, Argentina (03/2007)

TUDO E UM POUCO MAIS

Chegar a Mendoza e como encontrar um oásis na semidesértica região dos Andes.
Ap
ós oito horas atravessando a região das Cordilheiras, onde a magnitude das rochas impressiona pela imponência da natureza ante a pequenez humana, ver o verde que insiste em brotar da terra seca e o azul vivo do Rio Mendoza e uma sensação inesquecí
vel.
Os vinhedos s
ão companhia constante durante o trajeto a cidade, entre eles as vinhas plantadas em vá
rios sistemas diferentes, inclusive o "espaldeira" (destinado a uma produzo em massa de vinhos de qualidade inferior).
A cidade de Mendoza e pequena e tem um ar de cidade do interior, onde as pessoas v
ão a praça principal aos domingos em busca da feira de artesanato e artistas locais que se apresentam lá. Porem, tem uma ótima infra-estrutura turí
stica, que explora muito bem a diversidade e riqueza da natureza local.
A produ
ção das vinícolas também e um grande atrativo, tanto para turistas em geral, como para apreciadores de um bom vinho
obviamente.
Mendoza e a principal regi
ã
o produtora de vinho da Argentina e se autoproclama a "Capital de Vinho do Mundo".
Os neg
ócios contam com muito investimento estrangeiro e estão em alta expansã
o, mas tudo tem um toque bem Latino.

Cheguei a cidade uma semana ap
ós a Festa da Vindima, um acontecimento de grande importância local e, que tem como maior foco de atenção... a rainha da festa não, não é a uva, mas sim as rainhas escolhidas pelo público que representam as regiõ
es produtoras de vinho de Mendoza.
E um lugar extremamente agrad
ável onde parece fácil ser feliz: boa mesa, bom vinho e a siesta para digerir tamanho prazer - entre 13 e 17 horas a maioria dos estabelecimentos estão fechados.

Mendoza engloba 5 áreas distintas: Norte de Mendoza, Alto do Rio Mendoza, Vale do Uco, Leste de Mendoza e Sul de Mendoza.

Para facilitar meu primeiro contato com a produ
ção local, escolhi comprar um pacote turístico, que o fiz tão logo desembarquei na estacão rodoviá
ria. O valor pago foi caro, mas valeu cada centavo da "plata" que gastei.
Sa
ímos no outro dia cedo em um pequeno grupo rumo a Lujan de Cujo, para visitar 2 vinícolas de porte diferente, uma produtora de licores e, encerrar o passeio em uma farta mesa com um tipo "almuerzo", regado por muito vinho - é óbvio.
 

 

BODEGAS Y CAVAS DE WEINERT

Al
ém da produção local a vinicola tem vinhedos em outras regiões do pais, sendo esta umas das primeiras empresas a testar a nova área vinícola de Chubutm na imensidão da Patagônia, porem que tem sua produção concentrada nos distritos Mendinhos de Lujan de Cuyo e Maipu.
Nesta vin
ícola - de propriedade de empreendedor brasileiro, Bernardo Carlos Weinert- o que mais me impressionou o meu primeiro contato com a forma que os vinhos Mendocinos são fermentados, em sua grande maioria: em grandes compartimentos de grossas estruturas a base de concreto protegidos por tintura epóxi, que são ótimos para conservar a temperatura ideal a fermentaçã
o.
O cheiro peculiar da uva fermentando impregnava o ar e, ap
ós uma breve exposição do maquinário utilizado para recepção e esmagamento da uva nos dirigimos para a bodega onde os vinhos sã
o armazenados e GRANDES cubas de carvalho.
Ap
ós, nos dirigimos a sala de degustação para provar vinhos que sã
o feitos para venda em grande quantidade.
Entre os vinhos que experimentamos estava o vinho varietal da uva Sauvingon Blanc, denominado Cosecha de Otono pela sua colheita tardia (late harvest) e, vinhos de corte onde a casta predominante era o Cabernet Sauvignon nos tintos e no tamb
ém no exemplar rose. O Sauvignon Blanc também marcou presenç
a (muito discreta) no vinho de corte com as uvas Semillon e Cheninc Blanc.
Deixamos o cheiro de vinho fermentando e nos dirigimos para onde o vinho ainda estava no est
ágio que antecede.
 

 

VIÑA EL CERNO


Esta é uma Bodega Familiar, tamb

ém localizada em Maipu, que nos com um Bienbebidos de boas vindas.
A
boutique winery faz questão de manter a tradição e, a produção em pequenas quantidades, mantendo um alto controle da qualidade. E que resultado... O Cabernet Sauvignon apresentado na degustação era muito equilibrado e tinha uma longa persistência na boca, como se uma boa lembranç
a de um momento feliz.
Os vinhos destinados a degusta
ção são mantidos em pequenos barricas, das quais sã
o diretamente servidas as tacas.
Antes de sorvermos o primeiro gole, nosso guia - um alem
ão que abandonou a carreira de administrador após se apaixonar por vinho, para o qual atualmente dedica-se de forma integral (qualquer semelhança é mera coincidência...) - demonstrou técnicas básicas de degustação, que o grupo gostou tanto que continuou praticando em todos os momentos que se fez possível, incluindo um jantar de confraternização na noite do mesmo dia
O vinho aproxima as pessoas.
Antes de nos despedirmos de minha visita favorita no dia, aproveitei a oportunidade para conversar com algu
é
m que tanto tinha em comum comigo. Sempre se tem muito a conversar a respeito e eu particularmente, sempre muito a aprender com isto.



Ap
ós uma breve visita a uma produtora de licores, nosso passeio terminou em grande (grandessíssimo, melhor dizendo) estilo, em uma mesa farta de especialidades argentinas em um banquete na Cava de Cano - antiga residência de Don Guillermo Cano, governador de Mendoza, quem em 1936 criou a Festa da Vindima na região - em uma amostra da habilidade "hermana" de servir bem. Nos deliciamos com os queijos, fiambres, chorizo ao molho Malbec e as melhores empanadas que já comi (são como um pastel de forno, mas muito melhor). Um banquete no coração da região vinícola!
Nada mal.

A continuar...

Marcia Amaral

Chile (03/2007)

UM PAÍS DE DOIS MUNDOS

O Chile é um país muito particular na América Latina. Tem a mesma face multirracial que se encontra em qualquer país Latino-americano, porém comporta-se como se estivesse a uma grande distância. Tem um clima quente que não nos faz esquecer em que região geográfica nos encontramos, porém com infra-estrutura que mais se assemelha a terras muito distantes. Fala a mesma língua que a grande maioria de seus vizinhos e adversários, porém com eles não tem boa comunicação.

É um país que conseguiu um espaço importante em vários mercados e com os frutos de seu desenvolvimento ecónomico gerou um desenvolvimento social. Nele sente-se como em uma América Latina que deu certo. Porém, muitos espaços firmados, muitos inimigos feitos. É comum ouvir-se os dissabores de uma rivalidade de seus paises vizinhos.

Durante minha primeira fase no país, me estabeleci em um albergue no bairro Providencia, que é uma boa base para quem quer explorar a cidade. A uma estrutura razoável, porém conta com somente um supermercado - que de "super" não tem nada. Foi neste que comprei o vinho mais barato nos últimos tempos. O vinho era razoável, mas considerando o preço (US$2.50)...

Busquei várias formas de fazer minhas visitas às vinícolas (chamadas de viñas) e a possibilidade de participar de algum curso, porém não consegui conciliar nenhum evento ao período e, as Viñas pareciam ainda mais distantes que as argentinas em relação a Buenos Aires.
Na verdade, nunca estamos muito distantes de uma plantação de uva no Chile, visto que a maioria do país cultiva, porém os meios para visitá-las resumem-se basicamente a visitas por intermédio de agência de turismo. O que, para o meu estilo "mochileiro", é muito caro.
Para saciar minha sede, busquei uma visita que pudesse usar o transporte público (metrô até Puente Alto e depois ônibus local até Pirque) e realizar de forma independente. E, para minha satisfação "educativa" a vinícola em questão foi Concha Y Toro.

CONCHA Y TORO

A Concha y Toro é a maior e uma das mais antigas (fundada em 1883) empresas vinícolas do Chile e possui todos os recursos para mostrar a força dos vinhos chilenos, em uma vasta gama de estilos.
A empresa cresceu rapidamente e em 1923 colocou suas primeiras ações na Bolsa de Santiago e em 1994 tornou-se a primeira empresa vinícola a negociar suas ações na Bolsa de New York.
A empresa já não tem os proprietários originais e também passou por um grande processo de modernização desde sua fundação, visando atender o mercado externo, sendo o principal exportador da América Latina.
É uma experiência bem "turística" visita-la - o que agradou bem o grupo ao qual me juntei - que combina visita a um de seus vinhedos, vinícola e ao famoso "Casillero del Diablo", lugar assim chamado pelo a lenda que o próprio fundador, Don Melchor Concha y Toro, encarregou-se de fundamentar, passando-se por "diabo" quando escondia-se em uma adega que armazenava seus melhores produtos, para afugentar os ladrões que insistiam em degustar seu vinho.

Seus produtos atendem a consumidores com diferentes perfis, pois produz distintos vinhos de diferentes preços e características.
Degustamos dois vinhos, um Casillero del Diablo, Carmenere - uva emblema do país - e um Don Melchoir - premiado vinho da casa, sendo considerado por muitos o melhor vinho chileno, elaborado com Cabernet Sauvignoncasta que é a grande vedete da região de Maipo.

A região do Vale de Maipo é o coração da tradicional vitivinicultura chilena, berço da primeira geração de vinhos de qualidade. Famílias abastadas plantaram vinhas de Bordeux em meados do século XX, e o vale ainda possui grandes propriedades como herança.
O Vale de Maipo deu fama ao Chile pelos Cabernet Sauvignos finos e elegantes, particularmente das redondezas de Puente Alto, onde a empresa Concha y Toro está localizada.


Feliz por ter realizado minha primeira visita a uma vinícola chilena, aproveitei o resto do dia para curtir um parque aos pés dos Andes na cidade de San José de Maipo. Nada mal, fiz um "picnic" admirando as Cordilheiras em um dia quente que o Rio Maipo encarregou-se de amenizar.

Com planos de ir a Mendoza (Argentina), decidi que minha próxima região ao voltar do Chile seria a Central, onde localiza-se Curicó, pois acreditava que poderia visitar uma quantidade maior de empresas e, participar de alguma atividade relacionada ao assunto.
Bem, esta história tem continuação...

Até a próxima!

Marcia Amaral

Buenos Aires, Argentina (03/2007)

ORGULHO NACIONAL

O vinho é um dos orgulhos nacionais. Os nativos o defendem e se orgulham dele com a mesma empolgação de que tratam qualquer paixão.
Apreciam vinho e tem como hábito consumi-lo. Embora o consume interno tenha decaído muito nas últimas décadas (de 90 litros na década de 70 para 30 litros nos dias atuais) quando o consumidor argentino deixou a tradição de lado em prol de produtos mais baratos e com grande apelo ao público jovem, como cerveja e refrigerante - a Coca-Cola foi um substituto para o vinho que era consumido com a combinação de água gaseificada, para atenuar o estilo pesado que o vinho tinha.
Com a redução de consumo interno e a crise economica, a viticultura argentina enfraqueceu e a saída foi buscar consumidores no mercado externo.
Naquele momento, início dos anos 90, o vinho argentino não agradava ao paladar de outros consumidores e a solução foi moldar a indústria nacional aos padrões dos consumidores internacionais.
1992 é conhecido como o ano da virada, quando uma profunda mudança de conceitos gerou uma revolução na indústria nacional, combinada com um período de estabilização economica investimentos externos.
Seguindo este novo conceito, em 1995, os produtores arrancaram 15000 hectares de uvas híbridas, replantando em seu lugar 7700 hectares de castas mais nobres, da família Vitis Vinifera. Surgiram no mercado, em consequência, bons brancos argentinos a partir das cepas Chardonnay e Torrentés e, tintos feitos de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e, especialmente Malbec, esta última teve um desenvolvimento espetacular, tornando-se um "porta-estandarte" da produção argentina e sua marca registrada.

EXPERIÊNCIA PORTEÑA


Viajar de forma independente tem sido uma boa experiência. Como não tenho um roteiro completamente estabelecido, tenho a flexibilidade de adaptar-me ao que a localidade oferece e - como não faço muita expectativa - sempre tenho boas surpresas.
Não sabia exatamente o que encontrar em Buenos Aires que pudesse agregar no meu estudo de vinho. A não ser o experimento do mesmo.
Busquei informações na internet sobre cursos que pudesse fazer, enquanto na capital, porém não consegui conciliar nada com os dias de minha estada. Continuei minha busca ao chegar na cidade e, achei uma charla sobre a carreira de sommelier no Centro de Enologos de Buenos Aires (C.E.B.A.) da qual poderia participar e, imaginei que seria uma boa oportunidade de ouvir um pouco dos locais.
O C.E.B.A. iniciou suas atividade em 1945 e desde então segue fiel ao seu propósito de propagar o conhecimento e desde 2003 forma profissionais na carreira de sommelier.
Foi uma conversa informal, da qual participaram os professores do centro (experientes profissionais) e alunos em potencial. Também foi uma excelente oportunidade de conhecer como os argentinos se relacionam com o vinho e sua produção e comercialização.

Eu era a única estrangeira no grupo o que me fez um foco de curiosidade. Fui convidada a participar de um curso no dia seguinte que abordaria a produção de vinho artesanal. Adorei a idéia de colocar a "mão na massa" ou mosto melhor dizendo e após uma bem-vinda degustação de vinhos que o próprio C.E.BA. produz, combinamos os detalhes para o dia seguinte.

ELABORAÇÃO DE VINHOS ARTESANAIS
O C.E.B.A. mantem uma pequena vinícola na cidade de Luís Guillón, na região metropolitana, onde produzem vinhos 100% Cabernet Sauvignon e o de corte Sauvignon Blanc - Chenin com uvas originárias de General Alvear na Provínicia de Mendoza.
Este foi o lugar do meu primeiro curso relacionada a vinho na América do Sul e onde fomos recebidos por um simpático senhor de 97 anos que é proprietário do local e concede parte deste para o C.E.B.A. fazer a alquimia do vinho. Don Luís, como é chamado, foi um anfitrião atencioso e nos fez sentir em casa.
O grupo era pequeno, éramos apenas 4 incluindo nosso instrutor Juan que compartilhou sua experiência e paixão pelo assunto.
Como o grupo era pequeno, o ambiente informal e acolhedor, tivemos a oportunidade de estarmos bem próximos de todo o processo e tirar as dúvidas relacionadas.   
O curso deu-me uma visão mais científica da produção de vinho, relatando os componentes que envolvem todo o processo de elaboração seus controles e medidas, necessários a dar equilíbrio e uma "mãozinha" ao processo natural.
Acompanhamos em teoria todo o processo relacionado com a produção desde a propagação da vinícola para receber as uvas até o envase do vinho. Antes de partirmos para a prática era hora do almoço e fomos convidados à mesa para compartilharmos a comida e vinho, da propriedade obviamente.
Nosso almoço e vinho estavam ótimos e combinado com a descontracção do grupo fez deste uma ótima experiencia da hospitalidade argentina.
Entre conversas sobre vinho e vinhedos discutimos preferências, tendências, mercado e tudo relacionado ao assunto que todos demonstraram o mesmo fascínio.
Esta foi minha primeira experiência de dividir a mesa onde todos compartilham a paixão pelo vinho e me senti muito bem, como em um grupo de amigos que se reúne esporadicamente para matar a saudades.
Após o almoço, iniciamos a parte prática do curso:
1) Esmagamento e desengaço da uva - os cachos são inseridos em um esmagador/desengaçador, onde as uvas são separadas de seus cabos e esmagadas por rolos para se expor o sumo rico em açúcar as leveduras e aos engaços. O mosto (resultado da uva esmagada) é então armazenado em um cilindro de aço inox;    
2) Adição de leveduras ao mosto - há leveduras necessárias à fermentação na pele das uvas. Caso se prefira usar leveduras cultivadas, elas são adicionadas ao mosto nessa etapa para dar início à fermentação;  
O processo que se segue é a Fermentação, que se completa de 4 a 7 dias, sendo que, embora a hospitalidade fosse grande, não poderíamos acompanhá-lo por completo.

Ao encerrar nossa "eno-imerssão" ficou a confirmação de que para se produzir um produto com potencial de venda no competitivo mercado de vinho, tem-se que empregar as técnicas corretas, usar os equipamentos adequados, conhecer o mercado e envolver-se com dedicação e comprometimento e, se a paixão pelo vinho esta associada, com certeza resultará um bom produto.

DESPEDIDA DE TERRAS HERMANAS
Além de produção caseira, degustei vinhos que facilmente encontra-se no mercado nacional. Entre eles, o emblema nacional Malbec - uma uva que é encontrada em quase todo o território argentino e que é mais macio em tanino do que imaginava; Sauvignon Blanc - que mais aromas de grama e aspargos e menos de frutas tropicais, tão associados com os exemplares do mundo novo; Pinot Noir - procedente da Patagônia, um lugar que esta firmando-se como região produtora e especializando-se nesta variedade.
Há uma grande variedade de vinhos disponíveis no mercado, a grande maioria de Mendoza, e os preços são variados, porém é fácil encontrar vinho de boa qualidade por preços ótimos.
A Argentina apresenta várias condições favoráveis para uma produção barata de vinho e apresenta uma ótima relação custo-benefício para o comprador, o que, além da qualidade, a faz uma potente vendedora, sendo atualmente o quarto maior produtor mundial com 1,5 bilhão de litros anuais.
Com certeza, é um exemplo a ser observado.
 

 
Até a próxima!
 
Marcia Amaral

Brasil

SURPRESAS NATIVAS

O que imaginava encontrar quando voltei para o Brasil eram produtos similares aos que comprava; sem muita regularidade; antes de trocar o país tropical pelo frio cinza da Grã-Bretanha e, um pouco antes de descobrir o vinho como meu caminho. Para minha surpresa eles e multiplicaram muito, acrescentando uma grande variedade e muita qualidade às opções que se dispunha a 5 anos atrás. Parte desta contribuição é de vinhos estrangeiros e outra grande parcela de vinhos nacionais.

Vinho continua sendo uma opção cara para o padrão econômico da maioria da população brasileira e, perde em muito para a preferência nacional: cerveja, que cai muito bem nos dias quentes que a grande maioria do país têm, em boa parte do ano. Porém, vêm crescendo a demanda, principalmente para os apreciadores de uma boa comida que têm a bebida como acompanhamento.

Muitas foram as surpresas na minha 'redescoberta' do vinho brasileiro, que me mostrou nunca o haver descoberto.

 

COMO TUDO COMEÇOU

O primeiro vinho do Brasil foi produzido em São Paulo, no bairro Tatuapé, em 1551. Ali foram plantadas as videiras que Brás Cubas tentou fazer vingar sem sucesso no litoral paulista.

Na metade do século XVI, os portugueses plantaram videiras em locais como Bahia e Pernambuco e os missionários jesuítas no Rio Grande do Sul.

O renascimento dos vinhedos no Sul se dá com a chegada dos imigrantes açorianos a partir de 1732 e outro personagem importante foi o inglês Thomas Messier, que em 1814 plantou, pela primeira vez no Brasil, videiras da famosa uva Isabel (Vitis Labrusca) que teve uma boa adaptação em solos e climas difíceis para as videiras de Vitis Viníferas européias.

A chegada dos imigrantes europeus ao sul do País é o fato mais significativo da história do vinho brasileiro. Primeiro foram os portugueses (1860), depois os franceses (1865). Mas foram os italianos, herdeiros de uma tradição de mais de 2 mil anos de experiência que, após 1875, o cultivo da uva começou a ter importância.

 

COMO TUDO CONTINUOU

Até os anos 60, não houve grandes transformações ou estímulos por um aperfeiçoamento da produção em termos de qualidade. Um mercado pouco habituado a consumir vinho não exigia muitas atenções. Isso motivou a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul a iniciar uma campanha "Plante Viníferas", com o objetivo de substituir as uvas americanas pelas européias e obviamente melhorar o nível geral dos produtos brasileiros.

Depois do sucesso da iniciativa, nos anos 80, surgiram campanhas para aumentar o consumo dos vinhos nacionais com um resultado interessante. Paralelamente, muitas vinícolas desenvolveram a tecnologia e as atenções no cultivo; com o uso de técnicas e equipamentos equiparados àqueles utilizados na Europa e nos EUA; combinadas à profissionalização dos envolvidos no processo.

Em novembro de 2002, saiu o que se chama de Indicação de Procedência - Processo anterior à chamada Denominação de Origem - para a região de Vale dos Vinhedos; em Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul; primeira e por enquanto única região demarcada de vinhos no Brasil.

 

ESTA HISTÓRIA AINDA NÃO TERMINOU

Existem vinhedos em várias regiões brasileiras, inclusive nas pouco prováveis como do Nordeste, porém o Rio Grande do Sul ainda acolhe a maioria das vinícolas e detêm o maior nível de produção no país.

Relato aqui um pouco do que tive oportunidade de conhecer de três importantes regiões de produção que, destacam-se por uma razão ou outra, no mercado de vinho nacional: Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha, Vale do São Francisco.

O crescimento da indústria do vinho brasileiro é notado a olhos vistos e, existe a expectativa de que isto é só um começo ou melhor... um recomeço.

 

Vale do São Francisco

Situação na macro-região geográfica do Nordeste do Brasil, nos Estados da Bahia e Pernambuco. Os vinhedos entre 9° e 10° de latitude Sul - as mais baixas latitudes na viticultura de vinho no mundo. Caracteriza-se por estar em latitudes ao redor de 350 metros, em áreas com paisagem típica da caatinga do sertão nordestino, com uma viticultura localizada em áreas planas, com irrigação utilizando água do rio São Francisco.

Região com clima do tipo tropical semi-árido, apresenta ao longo do ano um período seco e um período sub-úmido. Esta característica lhe confere total diferenciação em relação à viticultura mundial. Onde existe a possibilidade que a videira vegete e produza durante os 12 meses do ano, o clima, conhecido no meio científico como clima com variabilidade intra-anual, apresenta três diferentes períodos ao longo do ano:

1) Relativo os meses de junho a setembro, que é chamado de inverno, que se caracteriza por um período seco, sem chuvas, com temperaturas baixas de noite e amenas de dia;

2) Corresponde os meses de abril a maio e de outubro a dezembro, que se caracteriza por período seco, sem chuvas, com temperaturas altas de dia e amenas a noite;

3) Corresponde de janeiro a março, que se caracteriza por um período sub-úmido, com chuvas e altas temperaturas, de dia e a noite.

Essas variações possibilitam a obtenção de uvas com qualidades específicas e diferenciadas em função da época de produção.

A formação geológica é do período cristalino, hoje também acumulando solos aluviais. São solos de baixa fertilidade.

 

Campanha

A Campanha do Estado do Rio Grande do Sul localiza-se próximo à divisa com o Uruguai, 31° de latitude Sul. Com paisagem típica do pampa gaúcho - formado por campos situados em coxilhas, é uma região que tradicionalmente esteve ligada à exploração de gado e ovelha. Caracteriza-se por estar em altitudes ao redor de 300 metros, com uma viticultura localizada em coxilhas de baixa declividade, facilitando a mecanização dos vinhedos. O solo de arenito tem ótima drenagem e média fertilidade.

Região de clima temperado sub-úmido, possuindo verões relativamente quentes e secos em relação ao padrão climático do Rio Grande do Sul, diferenciando-a das demais regiões vinícolas brasileiras, porém, os vinhedos não são irrigados.

 

Vale dos Vinhedos

O Vale dos Vinhedos localizado na macro-região geográfica Sul do Brasil, na Encosta Superior do Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, conhecida como Serra Gaúcha. Situado a 29° de latitude Sul. Caracteriza-se por estar em altitudes médias para a região, entre 450 e 650 metros, com uma viticultura localizada normalmente na meia encosta dos vales da serra, à margem esquerda do Rio das Antas, numa paisagem típica da Serra Gaúcha. Os vinhedos estão estabelecidos em áreas de declividades médias, porém, em certos casos, lembrando condições de viticultura de montanha.

Região em clima temperado, encontrado em grande parte da viticultura mundial, com verões amenos, é de tipo úmido, o que o diferencia a nível mundial, conferindo à uva e ao vinho uma tipicidade regional. Os vinhedos não são irrigados e a videira se desenvolve por regime de chuvas.

A formação geológica é o basalto, que deu origem a solos de profundidade média nas encostas.

A maioria das vinhas antigas está plantada no sistema latada. Nessa forma de cultivo, a planta cresce em paralelo com o solo. Aos poucos elas estão sendo substituídas e acompanham as recentes vinhas plantadas no sistema espaldeira: no qual a planta se ergue sustentada por arames e permite aos frutos maior exposição ao sol, favorecimento ao amadurecimento.

O Vale dos Vinhedos conta com uma associação de produtores, APROVALE, que gestiona o funcionamento da certificação. Para isso tem um conselho regulador que normatiza a certificação dos vinhos de cada safra.

 

Aproveitando minha estada no Brasil, procurei experimentar a maior diversidade possível de vinhos nacionais e, os exemplares das três regiões acima citadas foram os que mais despertaram meu interesse.

É fácil encontrar um bom vinho com valores entre R$11,00 e R$25,00. O custo é baixo se comparado aos exemplares importados, porém ainda é muito alto para o consumidor brasileiro, sendo uma parte expressiva deste custo composto por impostos, altos para bebidas alcoólicas.

Outra forma que busquei de conhecer a produção nacional foi uma visita recente ao Vale dos Vinhedos, em uma oportunidade em que também visitei a FENAVINHO.

 

FENAVINHO é um evento que acontece a 40 anos em Bento Gonçalves e que é bastante popular. Ela tem programação comercial, educativa e também é um espaço de entretenimento com apresentações e shows, que têm um apelo popular grande.

A feira representa o que a região se tornou nos últimos anos, um pólo da viticultura nacional com um forte enfoque turístico.

 

No dia seguinte minha experiência foi in loco quando visitei duas vinícolas no Vale. As propriedades, com características bem diferentes, foram boas amostras de como os negócios são administrados no Brasil.

 

Casa Valduga

A família Valduga administra os negócios bem de perto. É fácil encontrar um membro da família em qualquer um dos segmentos do estabelecimento (restaurante, pousada, vinícola) - que é sinônimo de sucesso e qualidade, bem como seus vinhos.

A visita guiada acontece a cada uma hora nos finais de semana e não exige reserva antecipada. No preço da entrada está inclusa uma taça de vinho para degustação. Iniciamos a visitação pelo 'vinhedo histórico' que tem como objetivo ser uma experiência educativa apresentando as várias castas de uva presentes nos vinhedos da Valduga, com a vantagem de poder-se colher e provar as frutas frescas.

Nosso guia era atencioso e gentilmente respondia a todas nossas dúvidas - desde como o enxerto das plantas são feitos até os objetivos da unidade da vinícola em Mendoza, Argentina. Conhecemos as instalações antigas, onde a fermentação dos vinhos ainda era em pipas de grápia; uma madeira que foi utilizada como alternativa para o carvalho, porém de qualidade substancialmente inferior. Nas instalações em uso atualmente, a tecnologia e modernidade são o destaque e, contribuem para a preservação das características de cada casta.

O estabelecimento orgulha-se do padrão que atingiu, com produtos para um consumidor seletivo, que não se importa de desembolsar um pouco a mais por um vinho de qualidade. Esta é uma das razões pelas quais é raro encontrar vinhos Valduga nas prateleiras de supermercado.

Seus vinhos são excelentes, com destaque para o dueto “Riesling e Chardonnay” e, o vinho espumante “Gran Reserva” - método tradicional.

Têm uma boa estrutura para a visitação e vendas. O atendimento é bom e, a única coisa que faltou foi material escrito de divulgação de seus produtos. É clara a satisfação das pessoas envolvidas no empreendimento e a identificação com a marca, que ao que tudo indica terá um processo de expansão lento, sendo a próxima empreitada prevista novamente no exterior, com a possível compra de uma propriedade na Espanha.

 

Vinícola Miolo

As únicas semelhanças que a visita à Miolo teve em comparação a anterior foram que ambas são empresas familiares e, que buscaram a modernização visando a melhoria na qualidade de seus produtos.

A Miolo impressiona pelo grau de profissionalização do seu negócio, bem como a forma ambiciosa que este é administrado. Têm unidades produtivas não somente Vale dos Vinhedos, Campanha e Vale do São Francisco, como também em outra localidade da Serra Gaúcha e nos Campos de Cima da Serra. Também mantêm parcerias com empresas do Chile e Espanha para distribuição de produtos.

Têm bons produtos em todas as localidades onde produz e, sua produção nordestina tem sido foco de atenção.

No Vale do São Francisco são plantadas as variedades Shiraz, Cabernet Sauvignon, Moscatel, tendo produtos de destaque seu Shiraz e também o vinho de sobremesa, Late Harvest.

Na região do Vale dos Vinhedos os vinhos da linha de Reserva Miolo (Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay e Sauvingon Blanc), a linha Miolo Seleção (branco e tinto), Miolo Brut (vinho espumante, método tradicional), o vinho lote 43 (elaborado somente em safras de excepcional qualidade), e a Grapa Miolo.

Na unidade da Campanha Gaúcha encontra-se a produção de Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Tempranillo, Tannat e Cabernet Sauvignon.

É uma empresa atenta ao mercado e que utiliza várias formas de divulgação com um plano de marketing que associa a sua imagem à um produto de qualidade e, quer consolidar-se como "referência do vinho fino brasileiro".

Os vinhos são bons em geral. Nos que degustei pude constatar que faltava de um pouco de frescor no “Sauvignon Blanc, Fortaleza do Seival” (Campanha), o que pode ser resultado do transporte necessário da uva ao Vale dos Vinhedos para a vinificação da safra 2005, o que foi solucionado com a inauguração das instalações necessárias para tal na Campanha, em janeiro deste ano.

Também me pareceu estranho o aroma e sabor intenso de madeira no “Carmenére, Costa Pacifico 2005” (aliança com a chilena Via Wines), considerando que este não recebeu envelhecimento no carvalho.

Antes de nos despedirmos de um dia de visitas, visitei a loja do estabelecimento e comprei um vinho com o valor integral do ingresso como desconto.

E o vinho, que não era cara, saiu pelo preço que qualquer consumidor gostaria de pagar no supermercado local. Viva os descontos! A final eu também sou brasileira.

 

Até a próxima!

 

Marcia Amaral

Califórnia, EUA (janeiro 2007)

CALIFÓRNIA

O ano apenas começou, porém eu tenho a sensação de já ter alcançado grandes realizações.

2007 é o ano em que meu projeto entre em uma fase importante, muito prática e, decisiva. Claro que viajar, provar vinho, conhecer novas culturas soa muito divertido, e é! Mas assumi um compromisso comigo mesma de fazer desta experiência um desenvolvimento pessoal e profissional que, levo muito a sério.

Esta primeira etapa não poderia ter sido melhor. Cheia de surpresas boas a revelar, a Califórnia me encantou.

Cheguei a São Francisco no dia 11 de Janeiro, pretendendo ficar 7 dias e depois, continuar a viagem seguindo para Nova Iorque para mais uma semana, esta então como turista convencional.

Acabei ficando mais que o esperado na Califórnia, reduzindo minha visita ao lado leste Americano para 3 dias. O resultado final me agradou, pois, o oeste tem muito mais a oferecer - do que realmente me interessa.

Os Estados Unidos é um grande produtor de vinho e também, um enorme consumidor. Há nele espaço para fabricação de vinhos em pequenas quantidades (o chamado boutique wine) e também em larga escala, por grandes corporações, que têm em sua marca o maior atrativo. Com o uso de novas tecnologias, irrigação controlada e uma sempre ambiciosa postura no mercado, eles têm consumidores fiéis dos vinhos bons que produzem a um preço atrativo. Sem demérito, muitos deles são bons. Entretanto, eu estava mais interessada naqueles que representassem à verdadeira essência do vinho californiano.

O país não possui sistema de classificação, mas possui AVAs (American Viticultural Areas), criadas em 1983, nas quais existem as demarcações por tipo de solo, topografia, clima, mas não há restrição à quantidade de produção ou tipo de variedade cultivada.

A área localizada ao norte de São Francisco é conhecida como Wine Country (País do Vinho), abrangendo Sonoma, Napa Valley e suas subdivisões.

Ao norte de Sonoma fica Mendocino, que é também uma importante região produtora e, ao leste de Mendocino e norte de Napa Valley localiza-se o distrito de Lake, que vem ganhando reputação.

Das subdivisões de Napa, as mais importantes são: Carneros, Napa County, Napa Valley, Oakville, Rutherford, St. Helena, Clistoga, Spring Mountain District, Stags Leap District e Wild Horse Valley.

Sonoma é na verdade o lugar de nascimento do vinho californiano, porém Napa é mais bem conhecida. Parte da fama originou-se no reconhecimento da qualidade de seus vinhos - que muitos torceram o nariz (principalmente narizes franceses), que se deu em 1976 quando vinhos da região desbancaram vinhos tradicionalmente bem conceituados em uma competição internacional. Sim, eles foram julgados melhor que vinhos franceses - algo impensável para época.

Isto gerou uma revolução para os vinhos originados do "Novo Mundo" - assim denominados os países onde a vinicultura é relativamente nova, tais como Estados Unidos, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Abrindo as portas para um mercado consumidor, que passou a experimentar com curiosidade, vinhos que vinham de lugares pouco convencionais.

O assunto ainda é polêmico e, segundo a Decanter News, será o tema de um filme a ser lançado ainda este ano.

Abordarei novamente o tema, no relato da visita à Stags' Leap Winery - umas das vinícolas envolvidas.

 

"CALIFORNIAN WAY OF LIFE"  

Minha primeira visita a uma vinícola na Califórnia deu-se no estilo 'nativo'. Tive a oportunidade de conhecer não somente o empreendimento como também as pessoas envolvidas nele.

Por intermédio de Flavio; um amigo brasileiro que vive na Califórnia a muitos anos e já adotou o Californian way of life (que pelo que vi, difere muito do American...); conheci Caroline Frey.

Caroline que trabalha nos negócios da família, nos convidou a visitá-la e generosamente abriu as portas da propriedade para a conhecermos.

Frey Vineyards foi fundada em 1980 pelos pais de Caroline (Paul e Beba Frey), boa parte da família trabalha na propriedade e é um exemplo de negócio bem sucedido. Têm seus vinhos produzidos de forma orgânica¹ (são pioneiros no gênero no país) e biodinâmica² disponíveis em vários estabelecimentos comerciais que visitei, oferecendo bons vinhos com valores competitivos.

Notas:
¹ Para ser rotulado como orgânico (considerando o novo USDA National Organic Program), o vinho dever ser feito inteiramente de uvas provenientes de vinhedos orgânicos e não podem conter aditivos, tais como sulfitos e ácidos cítricos.
Sulfitos tem sido usado como preservante e antioxidante da produção e vinificação da uva desde o império romano.
Por não conterem nenhum sulfúrio adicionado, vinhos orgânicos estão mais sujeitos a oxidação e degradação que os demais vinhos, particularmente se forem expostos a altas temperaturas.
² O método Biodinâmico, iniciado pelo filósofo alemão Rudolf Steiner em 1924, tem uma visão 'holística', que consiste em trabalhar a viticultura em harmonia e respeitando o ecossistema. 'Demeter USA' é a entidade responsável pela certificação nos EUA.

A propriedade localiza-se 140 milhas de São Francisco, em Redwood Valley - Mendocino, tendo acima desta a nascente do Russian River, importante rio que influência o clima local e que também dá nome a uma das AVAs.

Chegamos pouco antes do pôr-do-sol e, fomos imediatamente 'explorar' o lugar. A propriedade não parecia grande, mas era bem organizada, com uma imagem de negócio familiar com engajamento familiar em ambiente familiar.

Caroline é uma pessoa carismática, que demonstra grande entusiasmo por tudo, incluindo seu engajamento no negócio da família. Vive de uma forma simples e harmoniosamente em contato com a natureza; assim como toda sua família e amigos; sendo natural a opção por uma cultura orgânica e biodinâmica - bem ao estilo californiano.  

Ela nos mostrou os vinhedos, vinícola, sala de degustação e, cordialmente separou várias garrafa de vinho para nos presentear.

A seu convite, nos juntamos à sua irmã e grupo de amigos para um jantar, que ela preparou enquanto conversávamos e degustávamos o vinho de sua preferência (e do país todo aparentemente): Chardonnay.

As companhias eram ótimas, o papo animadíssimo, a comida uma delícia (vegetariana, para agradar a grande maioria) e o vinho, devo admitir muito bom!

Com um breve período de envelhecimento em barricas de carvalho, o Chardonnay (2005) lembra baunilha e é um bom representante da casta, na estilo bem americano de produzi-la e apreciá-la.

Pude observar o quanto os envolvidos com a viticultura estão buscando o desenvolvimento sustentável do segmento, comprometidos com a qualidade e atentos às tendências, tecnologia e mercado.

Entre os exemplares da Frey (Syrah 2005; White Zinfandel 2005; Sauvignon Blanc 2005; Sangiovese 2004; Gewurztraminer 2005), que apreciei em um outro momento, estava uma casta que vêm crescendo em importância no mercado americano: Petite Sirah (2004) - uva de identidade nebulosa, pois parece ter mais de uma variedade envolvida, é fonte de vinhos tânicos, muitas vezes misturada ao menos forte Zinfandel (cepa que é marca registrada do país).

Foi uma visita muito agradável e voltei a São Francisco imensamente feliz de encontrar pessoas genuínas e amigáveis com as quais compartilho o interesse pelo vinho. Talvez em níveis diferentes, mas com certeza, similar intensidade.

 

ENOTURISMO

Califórnia é o quarto maior produtor de vinho do mundo, atrás apenas da França, Itália e Espanha. Desta produção, 90% é consumido dentro dos Estados Unidos.

Como a demanda interna é alta, os preços em geral são elevados e os vinhos pouco competitivos no mercado externo. São comuns os 'clubes do vinho', que oferecem promoções aos membros, que pagam antecipadamente pela sua participação nestes.

Em quase todos os lugares da Califórnia vinho é produzido, do México à Oregon, desde as montanhas de Sierra Nevada ao Oceano Pacífico, pode-se encontrar vinhedos e vinícolas. O deserto parece ser a única exceção.

Com uma economia saudável (Califórnia seria a maior potência se fosse um país independente), um postura moderna em relação a diversos assuntos e uma consciente preservação de sua história, Califórnia é um estado que recorda o passado, desfruta o presente de olho no futuro.

A prestação de serviços é muito boa, refletindo o devido valor que ser dá ao dinheiro gerado com este e, à atitude amigável e hospitaleira que os californianos têm - em sua grande maioria.

Tudo isto, combinado com um clima similar ao Mediterrâneo, faz deste o lugar de destino para muitos estrangeiros e muitos... muitos americanos.

São vários atrativos turísticos, com uma grande diversidade de opções onde todos encontram um motivo para visitá-la.

Enoturismo é uma das opções e, muitas vinícolas têm nesta atividade um importante componente de suas receitas - principalmente as de pequeno porte, que vendem toda sua produção diretamente ao consumidor.

As visitas podem ser individuais ou em grupo - na grande maioria organizados por agências de turismo. A última foi minha primeira opção de explorar o "País do Vinho".

No dia 17 de Janeiro, era o dia de minha excursão às vinícolas com a Extranomical Adventures, Inc.; uma agência que organizava visitas em pequenos grupos (o que considerei ideal, pois evitava uma multidão de pessoas e era mais barato o aluguel de uma limusine - opção de muitos).

O grupo era pequeno (11 ao total) e em tínhamos todos - aparentemente - mais de 30 anos. Todos eram casais - com exceção de mim - e em sua maioria americanos, mas também havia um casal de australianos e outro da Escócia. 

 

VIANSA WINERY

A primeira visita foi à Viansa Winery na região de Carneros, distante não mais uma hora de São Francisco.

Por causa da proximidade à Baía de São Francisco, a neblina da manhã e as frias brisas da tarde são uma influência no clima de Carneros. O solo de Carnero é baixo e denso. Dois tipos de solo estão presentes: argila e aluvião. Estes solos tendem a impactar no vigor das vinhas e suprir com os nutrientes necessários sem um desenvolvimento em excesso.

As grandes estrelas de Carneros são Chardonnay e Pinot Noir.

Assim como muitos estabelecimentos, Viansa tem suas raízes em uma terra distante, que foi deixada para trás por imigrantes que buscavam na América uma terra de oportunidades.

Tem-se a impressão de estar em uma Villa italiana e, assim como no países europeus, a importância do vinho como um acompanhamento para comida e, literalmente visível. Além do vinho, no local são produzidos doces, geléias, molhos que são vendidos no mercado onde também se localiza os bares para degustação dos vinhos e, sempre sugeridos como combinações no cardápio dos vinhos.

Após uma breve introdução sobre o local, sua história e atividade, visitamos a adega onde os vinhos madurecem. Tudo era muito voltado para o turismo e, não parecia fazer parte uma vinícola em produção.

Fomos então, ao bar para degustarmos 4 vinhos escolhidos pela casa, todos eles com alta graduação alcoólica:

1) 2005 - Arneis -  US$ 22.50 (14.3% ABV)
Arneis é a variedade de uva originária da região de Piemont, na Itália. Raramente encontrada na Califórnia.
Apresenta uma coloração amarelo-limão e têm aromas de kiwi, lima e abacaxi maduro.
2) 2004 - Prindelo, Sonoma County - US$ 35 (15.5% ABV)
Apresenta uma cor púrpura. Este é um vinho de corte, com aroma de amoras.
Na boca é seco e com tons de chocolate.
3) 2005 - Imbianco - US$ 11 (15.6% ABV)
Vinho para sobremesa, feito a partir de 99% da uva Aleatico e 1% da Teroldigo, tem um delicado sabor de morangos, melão e bergamota.
4) 2005 - "Pocamio" Aleatico - US$ 19.50 (14.5% ABV)
Aleatico é uma varietal rara. Semi-Seco com pronunciado aroma de morango e amora.
É um vinho macio, pronto para beber.  

Fiquei intrigada com os vinhos semi-doce e doce, que tinham alto teor de graduação alcoólica. Perguntei a sommeliére que nos atendia se se utilizavam Chapitalization (adicionar açúcar) e, ela me respondeu evasivamente que eles interrompiam o processo de fermentação, deixando açúcar residual. Bem, como a grande maioria dos vinhos apresenta graduação alcoólica superior a 14% do volume, me deu a entender que as uvas da propriedade produzem um açúcar natural fora do comum...  

Antes de embarcarmos no veículo para continuar nossa jornada, pude observar os funcionários da propriedade (que são contratados exclusivamente para este serviço sazonal), realizando a poda de inverno no vinhedo.

 

MADONNA ESTATE

A segunda visita foi à Madonna Estate, também em Carneros. Este estabelecimento; que está na quarta geração de uma família descendentes de italianos, presentes nos Estados Unidos desde 1913; produz vinhos orgânicos e praticam um sistema pouco convencional para a região da Califórnia: Dry Farming (Agricultura Seca). Neste sistema não se utiliza irrigação, necessária na região devido à baixa precipitação de chuva. A irrigação é utilizada somente no primeiro ano de crescimento da vinha e depois é suspenso, ocasionando um 'estressamento' da planta que, em busca de água no subsolo, tem uma concentração dos sabores na uva, que apresenta bagas pequenas. Para facilitar o processo, é utilizada como base a casta 'St. George' que é não somente resistente à seca como também à Phylloxera.

O início da visita deu-se na área onde os vinhos estão estocados e repousam em barricas de carvalho (americanos ou franceses, dependendo das influencias esperadas no vinho). Enquanto nosso guia - um experiente conhecedor do assunto - explicava o sistema de produção do estabelecimento, um outro funcionário da vinícola preenchia as barricas com vinho, necessária devido ao natural processo de evaporação que o vinho sofre.

Um comentário esclarecedor foi em relação à expressão "Estate" constante nos rótulos dos vinhos, que identifica um produto cujas uvas são exclusivamente provenientes da propriedade, sendo que quando não mencionada pode indicar que as castas foram vendidas à vinícola por outros produtores da região.

Os vinhos, bons exemplos da qualidade que uma produção orgânica pode oferecer, foram degustados na sala reservada para tal e que divide espaço com a loja de produtos do estabelecimento (seguindo o modelo da grande maioria das vinícolas):

1) 2004 - Estate Chardonnay - US$ 24.50
Fermentado em barris de carvalho francês, este vinho têm um período de repouso em seu sedimento (sur lie), apresentando uma sensação cremosa na boca e aromas de pêra e maçã.
2) 2004 - Estate Pinot Noir - US$ 28.50
O vinho tem envelhecimento de nove meses em barricas de carvalho, que é notado na boca, tendo um aroma de frutas vermelhas.
3) 2001 - Estate Cabernet Sauvignon - US$ 34.00
O produto tem seu esmagamento e fermentação em tanques de aço inoxidável e após, envelhece em barricas de carvalho por 18 meses.
Apresenta aromas de amora, cassis e baunilha.
4) 2005 - Estate Riesling - US$ 21.00
Um vinho para ser bebido jovem que apresenta aromas florais com características de pêssego, pêra e mel.

De um total de 13 vinhos do catálogo apresentado, 2 já tinham sido completamente vendidos e somente 9 eram vendidos exclusivamente na propriedade, restando 2 para venda externa com adição de custos de impostos e transporte. 

 

KIRKLAND RANCH WINERY

Kirkland é uma propriedade em Napa Valley que mais lembra o estilo do 'velho oeste'. Os proprietários, que eram pecuaristas antes de descobrirem o grande filão que a viticultura poderia ser na Califórnia, mantiveram o estilo 'cowboy' no estabelecimento e os animais empalhados decoram a sala de degustação. Como é de se supor, não são adeptos da produção orgânica e biodinâmica tampouco.

Em um estilo "sem rodeios" fomos direto a sala de degustação onde provamos alguns vinhos. O pouco que se soube sobre a propriedade, foi pelas informações repassadas pelo nosso motorista-guia e, pela visitação (auto-guiada) entre os corredores do prédio principal onde, entre fotos de atividades da época que os negócios eram a agropecuária, encontram-se as janelas onde se pode visualizar a vinícola, moderna e bem equipada.

A história da Kirkland é semelhante a muitas outras na região, onde fazendeiros e ou outros detentores de um capital alto que vislumbraram o potencial da região para a vitivinicultura, buscaram formação técnica e apostaram seus recursos na atividade.

Investimento alto é uma característica local, que é necessário em um localidade cada vez mais valorizada pelo prestigio que o território têm e pela demora no retorno do valor inicial aplicado.

Para estabelecer um negócio no "novo oeste" é preciso estar "montado", não no cavalo, mas em dinheiro.

Os exemplares apresentaram foram:

1) 2003 - Kirkland Ranch Chardonnay Napa Valley - US$ 20.00
É um 'estate wine' que envelhece 12 meses em barricas de carvalho e repousa em seus resíduos resultando em um vinho com sabor de baunilha e com aromas cítricos e de maçã.
2) 2002 - Kirkland Rach Sangiovese Napa Valley - US$ 20.00
É um vinho de corte (90% Sangiovese, 10% Merlot). Recebe 24 meses de carvalho e apresenta um aroma defumado e especiarias. Sua cor não é profunda e é leve em taninos.
3) NV Agape Late Harvet Wine Napa Valley - US$ 40.00
É um vinho de sobremesa, feito a partir de uvas Semillon e Sauvignon Blanc afetadas pela 'noble rot' (podridão-nobre), que mistura mais de um ano de colheita (non-vintage).
Tem um bom equilíbrio e apresenta aromas de pêssego maduro, abacaxi e frutas tropicais.
4) 2002 - Kirkland Ranch Estate Syrah - US$ 30.00
É envelhecido por 20 meses em barricas. É um vinho intenso em aromas e sabores, com características de especiarias, chocolate e baunilha.
5) 2002 - Kirkland Ranch Pinot Noir Napa Valley - US$ 32.50
Este vinho foi uma escolha pessoal e não decepcionou. É um bom exemplar da cepa, com aroma de ameixas e na boca apresenta cereja com uma finalização de baunilha, especiarias e madeira.

Após esta visita encerramos nosso dia no "País do Vinho" e, o grupo - satisfeito com a experiência - retornou a São Francisco após 7 horas de passeio.

 

UM DIA ESPECIAL

Dia 20 de Janeiro; um sábado ensolarado (nada surpreendente e extremamente agradável) com clima ameno para um inverno inesperadamente frio; rumei novamente ao "País do Vinho" para realizar as visitas que me fizeram postergar meu bilhete aéreo, que estava marcado para deixar São Francisco no quinta anterior.

Com visitação agendada em duas vinícolas, uma para as 11h30minh e outra às 14h30min, tive tempo de incluir outra após estas e, fazer pic-nic entre vinhedos no almoço. Sempre na companhia do meu amigo brasileiro Flavio.

Escolhi cautelosamente os lugares que gostaria de visitar no meu último dia na Califórnia.

O primeiro por indicação de Alder, cujo mantêm um excelente blog sobre vinhos, que me indicou Piña Cellars - entre outras vinícolas.

A segunda vinícola foi por motivos históricos: Stags' Leap Winery.

E a última foi por um interesse espontâneo que surgiu ao conhecer um casal que visitava Piña, que trabalhava esporadicamente na Robert Sinskey Vineyards e, demonstravam compartilhar da mesma paixão pelo vinho.

Uma reserva antecipada é aconselhável ou, certificar-se do horário de funcionamento para evitar desapontamento.

Alguns estabelecimentos não cobram a visita ou degustação, neste caso espera-se que você compre algum produto, que pode ser caro em comparação às outras vinícolas.

As vinícolas que visitei ficam na Silverado Trail  onde mais de 35 propriedades espalham-se pela rodovia que corre paralela a rodovia estadual "29". Em torno de 25 diferentes castas são cultivadas na região, sendo Cabernet Sauvignon a principal estrela. Nomes conhecidos e prestigiados estão no percurso que a rodovia tem, tais como Mumm; Clos Du Val e Stag's Leap - que dá nome a uma das AVAs.

O cenário é bonito, tem seu lado oeste mais elevado com algumas formações rochas derivadas de uma época em que existiam vulcões na região e o clima apresenta quase 10°C de diferença entre o dia e a noite.

 

PIÑA CELLARS

Fomos recebidos na vinícola por um jovem rapaz, que já acumula muita experiência na área e atualmente estuda vinicultura, com projetos de ter uma experiência de trabalho na África do Sul.

O negócio é familiar, porém há um interesse de buscar jovens profissionais no mercado - como no caso de nosso anfitrião - que tragam novos conhecimentos e experiências. Piña tem sua atividade dividida: numa que corresponde ao vinhedo e outra à vinícola, com administração diferente e cada uma com seus próprios funcionários. Buscam com isto, focar a atenção necessária a cada uma em particular.

A visita iniciou com degustação de exemplares de seu excelente Cabernet Sauvignon: 2004, 2005 e 2006 - sendo os dois últimos extraídos diretamente das barricas. Foi impressionante constatar o bom equilíbrio que o vinho apresenta, com uma maciez do tanino rara para vinhos tão jovens. Esta é uma peculiaridade desta região de Napa Valley e é muito bem aceita, pois proporciona um prazer imenso de apreciar um vinho jovem de uma casta que normalmente leva anos para apresentar um corpo médio.

A visita poderia resumir-se a isto - o que não estava mal - porém; ao observar nosso genuíno interesse pelo assunto; fomos convidados a uma 'tour' pela propriedade na companhia de nosso guia que atenciosamente respondeu às minhas dúvidas e curiosidades (sempre, sempre muitas).

Piña tem uma produção relativamente pequena e assim quer se manter, preservando a qualidade de seus produtos. Entretanto, tudo tem seu preço.

Comprei um exemplar do Cabernet Sauvignon (2004), que não foi barato (US$ 74) e representou bem o conceito de boutique wine.

A visita demorou mais de 2 horas e já era hora de nos despedimos.

Procuramos um bom lugar para um Pic-Nic e, entre os vinhedos fizemos nosso almoço, recarregando as energias para mais as próximas visitas.

 

STAGS' LEAP WINERY

Diz a lenda que um cervo (stag); que fugia de indígenas que o perseguiam nos morros rochosos que fazem fundo para o cenário deslumbrante da vinícola Stags' Leap; saltou (leap) de um morro a outro deixando os índios para traz.

Esta é uma das versões para a origem do nome deste prestigiado lugar em Napa Valley e, muitas foram as controvérsias pelo direito ao uso deste nome.

Desta localidade que saiu o prestigiado vinho Stags' Leap (1973, Cabernet Sauvignon) que enfrentou Bourdeux na famosa competição "1976 Paris Wine Tasting". Os franceses, não convencidos de terem sido derrotados, argumentaram que seus exemplares não haviam atingido sua plenitude pois, precisavam de alguns anos para amaciar os taninos. O que é uma característica natural dos representantes californianos, que tem um corpo macio em taninos ainda jovens.

Para esclarecer qualquer injustiça ao vin de Bourdeaux, outra competição às cegas foi realizada 30 anos depois e, o vencedor do ano passado foi: oui, oui... os californianos.

A propriedade, cheia de história e estórias, foi vendida parcialmente e ao novo dono coube um bonito e prestigiado lote de terras e... o nome original. Ao antigo dono ficou o lote de terras que produziu o famoso vinho e uma luta na justiça pelo direito ao uso do nome que o consagrou. Resolvido o impasse, as duas denominações mencionam a lenda porém, de forma diferente: o original denomina-se Stag's Leap Wine Cellars e o novo Stags' Leap Winery .

Visitei a vinícola do mais novo proprietário porém, a mais antiga, onde toda estrutura original foi restaurada - preservando suas características - e uma outra nova foi adicionada.

Fomos recebidos em uma ampla sala onde nosso guia contou um pouco da história do lugar e onde degustamos 4 exemplares de seus vinhos:

1) 2005 - Napa Valley Viogner - US$25
Cítrico no nariz e boca, com características de pêssego.
2) 2005 - Napa Valley Chardonnay - US$ 28
Alta acidez com notas de laranja e melão, com baunilha e cravo na finalização.
3) 2003 - Napa Valley Merlot - US$ 31
Aroma vibrante de frutas silvestres negras, cacau, noz-moscada e baunilha.
4) Ne Cede Malis, Rhone Blend - US$ 75
Aroma de frutas silvestres negras e ao final lembra casca de laranja.

Encerramos a visita explorando o local, com um copo de vinho na mão enquanto o sol se preparava para sumir no horizonte. Que dia!! E ainda não havia terminado...

 

ROBERT SINSKEY VINEYARDS

 

Durante a degustação à Piña Cellars, com pouquíssimos visitantes dividindo o espaço conosco, tivemos o privilégio de ter a companhia agradável de um casal (ela brasileira e ele americano) que foram muito amáveis e nos convidaram para visitá-los em uma vizinha vinícola na qual trabalham ocasionalmente.

Foi assim que descobrimos a Robert Sinskey Vineyards (www.robertsinskeyvineyards.com), um produtor de excelentes vinhos orgânicos no distrito de Stag's Leap, que originalmente pretendia focar sua atenção exclusivamente ao Pinot Noir, porém, rendeu-se ao clamor da terra (como o proprietário mesmo declara) e rendeu-se ao rei da região: Cabernet Sauvignon. Felizmente continua produzindo ambas, além de outras castas - todas de forma orgânica, não somente por ser ecologicamente correto como também por acreditar que esses vinhedos produzem vinhos melhores e com sabores mais vibrantes. Eu acredito também: o Pinot Noir da vinícola foi o melhor que já provei!

O ambiente é informal e extremamente agradável, onde você sente-se como se estivesse em uma confraternização entre velhos conhecidos. No bar de degustação tivemos o acompanhamento perfeito de canapés, preparados pela esposa do proprietário, Maria Helm Sinskey, que é a diretora de culinária do estabelecimento, autora do livro "The Vineyard Kitchen", e uma chef de mão cheia.

Muitos das pessoas que auxiliam no 'bar' da vinícola, o fazem esporadicamente e têm outras atividades também relacionadas ao vinho. Entre uma conversa, um gole de vinho, um canapé, o tempo foi passando e o bar fechou, então era hora de ir embora.

Despedimos-nos de nossos 'recém-velhos-conhecidos' e seguimos nosso caminho de volta a São Francisco.

A visita foi tão agradável que esqueci de anotar informações dos vinhos que degustamos (além do Pinot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc), porém ainda lembro do equilíbrio, aromas e frutas que navegaram pela minha boca. Ficaram as lembranças dos sentidos, o que em minha opinião... é o melhor da experiência com vinho.

 

Despedi-me da Califórnia no dia posterior, cedo da manhã pois meu vôo para Nova York partia às 07h30minh. Não tive tempo de aproveitar o domingo de mais um lindo dia ensolarado e agradável do inverno no oeste. Porém levei comigo todas as cores, sabores e cheiros que consegui assimilar em minha estada.

Visitar a Califórnia mudou meu 'pré-conceito' em relação aos californianos em geral, inclusive os vinhos. Ficou a certeza de que não se pode julgar algo que não se conhece.

Nice to meet you, California!

Até a próxima!  

Marcia Amaral