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ContinuidadeNo final de Outubro de 2007, minha "viagem ao redor do mundo", cujo tema foi VINHO, encerrou. Porém minha sede por aprendizado e conhecimento não. Pretendo continuar este blog, como um relato deste meu aprendizado, o que espero seja útil de alguma maneira à outras pessoas também amantes do vinho. Continuarei relatando minhas experiências no idioma inglês, pois acredito que esta é uma maneira de alcançar um número maior de pessoas. Então, se quiseres alguma informação ou tiveres um comentário em Português, podes me contatar por e-mail e responderei assim que possível. Participe! Tim tim,
Márcia Amaral
roundthewineworld@hotmail.com Muirlea Rise (Martinborough)A segunda visita em Martinborough foi um bom exemplar da região.
Muirlea Rise é uma pequena vinícola fundada por Willie Brown, um antigo comerciante que tornou-se vinicultor, e que é administrada agora por seu filho Shawn. Shawn tem um senso de humor de sua origem escocesa, o que fez nossa visita muito divertida. Ele compartilhou conosco seu interesse pelo o vinho, que somente descobriu apenas depois que seus 30 anos - como acontecem para a maioria de nós todos.
Depois que seu pai faleceu, Shawn assumiu o negócio e está mantendo vivo o que era para o seu pai uma grande paixão: "acredito que cada única fileira das videiras tinha próprio nome" - Shawn disse referindo-se do entusiasmo de seu pai, ao mostrar os vinhedos e ao explicar sobre as técnicas empregadas, enquanto pássaros constantemente voavam em bandos como cenário de fundo. Em um lugar pequeno e simples, nós provamos os vinhos, todos tintos e não filtrados do estabelecimento. Entre eles um Pinot Noir 2000; Cabernet Blend 2001 e o Mareth 2001 (estilo do corte de Bordeaux). Todos vinhos apresentam um bom equilíbrio, boa finalização e, a última amostra eu guardaria pacientemente por alguns an os mais para revelar toda sua beleza. Alana Estate (Martinborough)Martinborough esta a uma curta distância de Wellington, cerca de uma hora de trem.
Peguei o trem no centro da capital do país e as 10:20h estiva em Featherson, pronta a juntar me ao grupo do passeio turístico a região do vinho. Como chegamos um pouco antes do horário que as vinícolas abrem suas portas ao público, nós fomos convidados a tomar um café em um lanchonete local - o que caiu muito bem como um “despertador”. O grupo era em sua maioria de australianos, com exceção da guia: uma senhora nativa que esta no negócio por 7 anos; e de mim – obviamente. A primeira propriedade que visitamos foi Alana.
O estabelecimento foi construído em 3 níveis, aproveitando-se do declive do terreno e a gravidade para dividir os processos de fabricação por níveis, utilizando-se do piso superior para o início do processo e o final para sua finalização.Os vinhos apresentaram-se no estilo que se esperaria na Nova Zelândia. Aparte do Sauvignon Blanc 2006 que apresenta o sabor de seus depósitos naturais (lees), diminuindo assim o sabor frutado. O Pinot Noir, Taupapa, 2004 teve um sabor de geléia de morango e tem potencial para envelhecer bem. O empreendimento todo dá uma atenção especial a “boa mesa” e o cardápio do restaurante é elaborado com características para complementar os vinhos.É também um bom local para um lanche, onde sempre se esta rodeado pelas videiras e as flores, estas também muito uteis para distrair insetos e mantê-los longe do que realmente importa: uvas. GisborneLocalizada no extremo leste do país e o mais próximo da imaginária linha que determina a divisão internacional dos dias, Gisborne possui as videiras que primeiro vem o sol nascer. A região recebe elevadas horas da luz do sol nas planícies litorais que são protegidas do oeste por uma escala de montanhas. Os solos incluem subsolos arenosos ou vulcânicos com argila de fertilidade moderada. Os vinhedos são situados predominantemente nas planícies. As uvas crescem na região desde desde os primeiros cultivos, na parte traseira de Manatuke, nos idos de 1850. Porem, coube a Montana (parte agora da grupo internacional Pernod Rocard) conduzir à maneira moderna, que tem cultivado Chardonnay nas planícies que cercam a cidade por mais de 30 anos. Chardonnay ocupa em torno da metade dos vinhedos de Gisborne, que é considerada a capital do Chardonnay na Nova Zelândia. A outra grande parte do volume é de variedades brancas, deixando as uvas vermelhas uma parte de somente 10%. Gisborne situa-se na junção de três rios, na borda da única quantidade considerável de terra lisa e, cercada por montanhas. As videiras em Gisborne têm o título de "primeiramente para ver a luz" no mundo. Fonte de Informação:http://www.nzwine.com/ MartinboroughWellington é o nome oficial para a grande região que ocupa a seção do sul da ilha do norte. Wairarapa, no lado oriental mais baixo da região, é o único distrito do vinho de Wellington. Martinborough, além de ser uma cidade, é também a área conhecida como a mais antiga e de melhor vinho dentro da região de Wairarapa. Wairarapa - que em Maori significa ‘lugar de águas brilhantes’, é o lugar para vinhos boutique no país, propriedades pequenas sob comando familiar, de fabricantes apaixonados por vinho e generoso sol, focalizadas em produzir mais qualidade que quantidade, rendimentos relativamente pequenos permitem aos viticultores se dedicarem a elaboração de vinhos superiores. Localizada em um terraço de um antigo rio, com profundidade e livre drenagem, Martinborough tem baixa precipitação de chuva, verões quentes e um outono longo, seco. É a consistência do outono da região que acredita-se fornecer contrapeso para os dias quentes (que desenvolvem a maturidade) e das noites frescas (que equilibram a elegância). Os vinhos da região são considerados com boa concentração, textura e excelente profundidade, devido aos níveis baixos de produção e às qualidades originais do solo e do clima da área. Pinot Noir é a mais plantada e certamente a mais aclamada variedade da região. O sucesso do Pinot Noir de Martinborough tem conexão direta com o desenvolvimento rápido desta. Oficialmente, sexta maior região produtora da Nova Zelândia, Wellington é pequena em termos de produção porem com grande contribuição à reputação da qualidade vitivinícola do país.
Informação extraída de http://www.nzwine.com/regions/ e do Guia de Wairarapa 2006/7. Baía de HawkesA Baía de Hawkes é a segunda maior região na viticultura do país e tem uma respeitada história de 100 anos.
Apresenta topografia variada e com larga escala de tipos do solo, produz uma diversidade considerável de estilos do vinho nesta grande região. Há 22 categorias de tipos do solo nas planícies de Heretaunga sozinha. Os períodos de maturação de uma única variedade da uva podem variar em até três semanas entre o quente solo pedregoso de Gimblett Road aos altos vinhedos, mais frescos, da região central Baía de Hawkes. Chardonnay é a variedade mais extensamente plantada, mas as longas horas de luz do sol atraem uma porcentagem elevada de variedades da uva preta tais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah, também como o Pinot Noir. Sauvignon Blanc é a outra principal variedade branca, complementada por Pinot Gris, Gewürztraminer, Riesling, Semillon e Viogner, encontrado também. É um ótimo lugar par visitar-se vinícolas; com 32 destas abertas ao público; situado na vizinhança das cidades de Napier, Taradale, Flaxmere, Hastings e Havelock North. Informação extraída principalmente de: Web site http://www.nzwine.com/regions/ e Guia de Vinícolas da Região. Mission EstateNós chegamos na vinícola em um espaço curto de tempo, porem perdemos o horário da visitação, mas acredito que uma excursão ao dia é o suficiente - Então, tudo tranquilo. A Mission é o produtor mais antigo de vinho da Nova Zelândia (fundado em 1851 pelo sacerdote francês Lampila, todavia em local diferente) situa-se nas inclinações ensolaradas do subúrbio de Napier, em Greenmeadows. Faz parte da propriedade um prédio gracioso de estilo colonial – que foi anteriormente um seminário católico. Estabelecida para fornecer vinho sacramental - e o vinho para as refeições dos Maristas, a vinícola teve foi administrada para mais de um século por sacerdotes e irmãos. A propriedade é linda, oferecendo várias opções para eventos, o que tem sido uma característica constante dos estabelecimentos que tenho visitado país, onde o negócio tem uma cara multifuncional.Os vinhos, feitos pelo enólogo Paul Mooney, tem sua matéria-prima dos vinhedos de diversas localidades da baía de Hawke e representam uma mostra dos estilos da região. Eu experimentei uma grande variedade de seus vinhos e a maioria deles são bons. Para seus melhores exemplares, há a indicação de origem - uma outra similaridade que Nova Zelândia tem com "o velho mundo", como o cascalho de Gimblet, para o Merlot 2005 e Jewelston para a mistura Cabernet - Merlot 2004. Miriam pareceu gastar dele, declarando que era "um ótimo ‘ice wine’". Eu ainda não sei o disse apenas para ser amável ou se por gostar de vinhos doces ou porque este era realmente bom, visto que, em minha opinião não tinha nada de extraordinário. Eis que a curiosidade de provar um “ice wine” foi saciada com o "forjado" – temporariamente. Church Road WineryEu cheguei em Napier (Baía de Hawke) uma charmosa cidade de estilo Arte-Deco, em 17 de abril e, aproveitei o dia seguinte para explorar o lugar e sua história. Como eu vi algumas das uvas que ainda nas videiras, esperando a colheita tardia, eu me ofereci para ajudar fazê-la, mas sua equipe estava completa. Então eu juntei me a minha parceira de viagem, que estava estava entediada de esperar minha longa excursão pela vinícola, mas fui amável concordar mais com a uma visita - o que não era difícil considerando que a vinícola seguinte (Mission) era logo ao lado. Assim, lá fomos nós. CorrespondenteAs informações sobre minha "Viagem
ao Mundo do Vinho" podem ser encontradas na página da internet do
Centro de Enólogos de Buenos Aires, para quem sou correspondente.
Os relatos lá contidos são basicamente os mesmos de meu blog, que contém a versão em Português, para facilitar SUA vida. Stoneyridge ColheitaMais uma vez, voltei a ilha mágica de Waiheke. Após ter recebido uma chamada de Chris
para juntar me ao grupo de colheita e para pôr minhas mãos em algumas
uvas, eu reservei albergue por dois dias na ilha e tomei meu rumo no
dia seguinte.
Era uma quarta-feira bonita e ensolarada e, nos encontramos em Stoneyridge as 9 horas para a colheita. A equipe era muito diversa e eu encontrei locais, mochileiros e aventureiros em geral. Após um explicação do que exatamente estávamos buscando: apenas as uvas saudáveis - nós começamos colher das mais melhores videiras as uvas que seriam usadas produzir o vinho mais caro do país (Larose), assim, se você tiver a oportunidade de degusta-lo (Larose, 2007), saiba que foi feito com um pouquinho de minha ajuda. Nós trabalhamos duramente durante 8 horas, com um intervalo para almoço e um pouco de descanso e, após o término da colheita, um muito merecido copo de vinho. Foi uma experiência curta e boa e, mais uma vez, aprendi um pouco mais. Eu fui agraciada com duas garrafas do vinho Airfield, que e utilizei – parcialmente - para celebrar a Pascoa e bebi bem vagarosamente para prestigiar o trabalho do qual resultou. Até mais, Marcia Amaral. Villa Maria Estate
De volta a Auckland, depois viajar um pouco por Bay of Islands - uma
linda parte do país, em seu extremo norte - fiz meus planos
aproveitando meu tempo restante na maior cidade da Nova Zelândia
e visitei uma vinícola próxima a Auckland, em Mangere.
Até mais,
Nem Tudo é PerfeitoTenho experimentado um pouco de tudo em minha viagem
ao redor do mundo, desapontamento incluído... Infelizmente, eu não
poderei viajar a Austrália, não acreditaram que minhas intenções de
viajar no país e de o deixar eram genuínas.
Foi triste receber a recusa, porém, nem tudo esta ao alcance de nossas mãos, então, decidi mudar minha rota e esquecer sobre o ocorrido (ainda nesse processo). Assim, eu troquei minha estada na Austrália por outro lugar que eu estou mantendo como uma surpresa, por enquanto. Como eu tenho algum tempo extra para viajar, a outra decisão feita devia permanecer na Nova Zelândia para um pouco mais longo e aproveitar a oportunidade para aprender um pouco mais. Para tal, eu obtive o visto de trabalhador sazonal, que permite obter emprego nas áreas de horticultura e do viticultura, até setembro, porém eu fiz meus planos para permanecer aqui até o meio de julho e depois tomar meu rumo em direção a África do Sul. Eu estou muito feliz com minhas novas decisões e penso não sentirei muita falta dos vinhos Australianos de qualquer maneira. Auckland e Ilha de WaihekeINTRODUção A VITICULTURA LOCAL As vinhas pioneiras da Nova Zelândia foram plantadas em 1819, em Kerikeri, na ilha do norte. No século seguinte os esforços vinícolas quase não deram resultado. Os anos 60, entretanto, assistiram ao nascimento da indústria, com apoio do governo e a chegada de empresas internacionais. Com o aumento dos investimentos e do entusiasmo vieram melhores viticultura, cepas e vinhos.A indústria vinícola neozelandesa fixou-se nas regiões mais quentes, ao norte, onde o amadurecimento era garantido: Auckland, na costa oeste da ilha do norte, e Hawke’s Bay, a leste, foram as fundações. Já durante os anos 70, o desafio foi ver do que a ilha do sul era capaz. Nos pontos mais frios do país foram testados com Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. O cultivo das primeiras vinhas em Marlborough, em 1973, foi feito pela Montana, a maior produtora neo-zelandesa, cujo cítrico Sauvignon Blanc 1980 foi uma revelação, mostrando-se um catalisador da indústria vinícola do país. Outras regiões na ilha do sul se abriram para vitivinicultura, incluindo Nelson, Otago, Central e Canterbury. Por volta de 1990, havia quase 5000ha cultivados. Foi o começo de uma expansão que não acabou mais. O país é um membro importante do Mercado internacional de vinhos, com de 480* vinícolas. Atualmente a cepa mais importante é a Sauvignon Blanc com 39%* total da área total de vinhedos, sendo que a segunda variedade dominante é a Pinot Noir (18%*).
O sucesso de seus vinhos, com frescor e sabor límpidos, não acabou, porem, com a sede dos vinicultores do país por novas descobertas, o futuro de outras cepas é bastante promissora, dentre elas o Pinot Noir e também o Pinot Grigio.
PRIMEIRO CONTATO Meu primeiro contato com o vinho local foi em uma loja no centro de Auckland. Com um desconto obtido em um guia turístico em mãos fui verificar o que a loja tinha a oferecer. O lugar (NZ Wine Makers Centre) é um pouco caro para o meu orçamento - mas tudo em NZ parece ser… A coisa a mais agradável foi encontrar o gerente, que fez uma viagem muito similar a minha: foi a América do Sul explorar as regiões do vinho – excelente compartilhar experiencias - ele deu alguma informação sobre a vizinhança de Auckland, que foi uma grande motivação para iniciar minha missão... Entretanto, eu comecei minha expedição um pouco mais ao leste, quando em um passeio com um grupo na Baía de Coromandel. Foi na semana passada, quando uma chuva forte e constante fez nossa guia mudar os planos de do roteiro de nossa excursão; sugeriu uma visita a um vinícola, como uma alternativa para as atividades ao ar livre. Foi uma pena não poder apreciar plenamente a linda costa do leste; entretanto a idéia de visitar uma produtora de vinho soou muito bem para mim. PURANGI ESTATE Purangi é situado na baía do mercúrio, em uma paisagem bonita. O amigável proprietário, Robert Evans, explicou que as uvas usadas para seus vinhos não vêm da área - que não tem a condição ideal para cultivar uvas, deu explanação a tudo que nós pedimos e fez comentários sobre as dificuldades dos pequenos negócios de vinho e de uma falta da política para sua produção. O estabelecimento produz vinho e licor de fruta. Após ter experimentado "o vinho de uva", eu degustei os “vinhos” de Kiwi e Feijoa, que foram os melhores exemplares da produção da propriedade. ILHA DE WAIHEKE A lindíssima ilha localiza-se a 40 minutos de Auckland por balsa, e é um destino muito popular. Construiu uma reputação para o vinho tinto fino e, desde os anos 80 experientes profissionais têm produzido vinhos aclamados no mundo todo, particularmente vinhos de corte de Cabernet Sauvignon e de Merlot. Muitos destes vinhos ganharam diversos prêmios e, podem somente ser encontrados em Waiheke ou em alguns dos restaurantes mais finos ao redor do mundo.A ilha tem um clima ameno, seco, similar ao de Bordeux e é visível e "bebível" a similaridade dos estilos entre as duas regiões, ambos influenciados pelo clima marítimo. * Informação do site http://www.winesofnz.com/Info.aspx realtivas a 2006. Com uma boa e influente revista em mãos (Cuisine – wine country), que havia comprado recentemente, planejei minha rota de visitas na ilha. Considerei primeiramente as vinícolas abertas ao público - por razões óbvias, e então essas selecionei ao que poderia visitar usando transporte público ou caminhando- por causa mais evidente, e entre estas as que tem diferencem-se entre si, para ter uma idéia mais ampla. Depois que nós terminamos a excursão eu me presenteei com uma taca do Stonyridge Pilgrim 2005, que é um vinho de corte no estilo de Rhone com Syrah, de Grenache e de Mouvedre. Fundada em 1978, a propriedade Goldwater abriu caminho para produção de vinho na ilha (Cabernet, Merlot, Franc e Chardonnay) e também Marlborough (Sauvignon Blanc e Chardonnay) e a Baía de Hawke (Merlot e Cabernet). Quase todos seus vinhos têm envelhecimento em madeira, aparte do Sauvignon Blanc que é elaborado no conhecido de Marlborough, preservando o frescor e presença marcante de frutas. O Chardonnay tem carvalho, mas com caráter diferente dos exemplares que provei na Califórnia. A empresa tem um olho no mercado interno e outro no mercado estrangeiro e, têm exportado com sucesso principalmente para o Reino Unido e Japão. No dia que visitei Goldwater, ocorria um evento anual que é bastante concorrido e apreciado: uma refeição 10 pratos que se estende por toda tarde. Como eu não tinha tanta fome assim eu preferi admirar a vista do alto do monte, onde uma árvore nativa chamada Pohutukawa encontra-se e dá inspirações aos amantes de natureza. A vista que da Baía de Putiki é lindíssima. CABLE BAY Mais uma vez, depois que um passeio curto de ônibus e um pouco de caminhada, estava outra vez entre as uvas, desta vez na novíssima propriedade de Cable Bay. O edifício novo com um restaurante; bar; sala de degustação e outras de eventos; teve sua obra finalizada no começo deste ano. A vista desde o estabelecimento não decepciona e, pode-se apreciar seus vinhos admirando a Church Bay. Por uma pequena tarifa você pode provar 7 vinhos diferentes, com uvas provenientes de sua propriedade local e também de Marlborough. Sua lista de vinhos é bem variada. Todos seus vinhos têm envelhecimento em carvalho, incluído o Sauvignon Blanc – ocultando o caráter associado a uva daquela localidade. O Pinot Noir 2005 era encantador. Porém seu melhor vinho não pude provar, pois "o vinho reserva" - que é feito das mais melhores uvas relativas aos melhores anos, não está disponível na degustação – que pena. MUDBRICK VINEYARDS Provar sua Reserva Syrah 2005 foi um prazer. Eu, que não morro de amores pela variedade, adorei. Tinha aroma de terra e era cheio das frutas pretas que brincavam no paladar por um longo tempo. Para terminar meu dia na ilha, eu senti na sacada da vinícola contemplando a vista, que é, até o presente momento, a mais linda da ilha, ou estaria eu enfeitiçada. Chile II (03/2007)Voltei ao Chile com o entusiasmo de encontrar muitas vinícolas as quais visitar em os meus poucos dias restantes na América Latina. Porem, para minha decepção, quanto do cheguei na cidade de Curicó, descobri que as vinícolas não aceitam visitas sem a reserva de no mínimo um dia de antecedência, sendo a una opção Miguel Torres. Aceitei minha falta de sorte combinada com a consciência de um melhor planejamento e decidi ficar na cidade naquele dia, fazer a visita e tentar a sorte em outra localidade no dia seguinte, que para dar não dar uma mãozinha ao azar, tratei de fazer todos os contatos possíveis com antecedência.
MIGUEL TORRES Chegar a Vinícola é fácil, basta tomar um ônibus local no centro de Curicó e em 10 minutos se esta na localidade.
VIU MANENT Mendoza II (03/2007)Continuei minha busca por propriedades que pudesse visitar sozinha e com isto ter um contato mais próximo com os envolvidos no processo de fabricação. Porem, isto não foi no dia seguinte. No dia posterior, tomei o rumo dos vinhedos novamente com um grupo de turistas. Desta vez foi um programa mais curto que abrangia duas vinícolas e uma produtora de azeite – assim com outros lugares de clima parecido, a argentina eh uma grande produtora de derivados da oliveira.
BODEGAS LOPEZ
CAVAS DE DON ANTURO Na próxima visita, na Cavas de Don Anturo localizada em Maipu, a paixão e dedicação ao vinho éramos facilmente percebidos. O próximo dia, quarta-feira, dediquei ao turismo de aventura – o que eh excepcional! Cavalgada aos pés dos Andes, almoço típico e para encerrar descer o rio Mendoza de “rafting” fizeram deste passeio um dia para relembrar.
CARMELO PATTI No meu último dia de visitas em Menodoza, acordei cedo e segui novamente em direção a Lujan de Cujo, distante não mais que 30 km do Centro de Mendoza. Finalmente... descobri que o transporte público leva até a porta de muitas vinícolas.Como havia chegado cedo, aproveitei para caminhar um pouco pelas redondezas antes de iniciar minha visita. O pequeno vilarejo não tem muito a oferecer, além dos vinhos excelentes – o que não verdade eh mais do que suficiente.
Marcia Amaral Mendoza, Argentina (03/2007)TUDO E UM POUCO MAIS Chegar a Mendoza e como encontrar um oásis na semidesértica região dos Andes. Mendoza engloba 5 áreas distintas: Norte de Mendoza, Alto do Rio Mendoza, Vale do Uco, Leste de Mendoza e Sul de Mendoza. BODEGAS Y CAVAS DE WEINERT
Além da produção local a vinicola tem vinhedos em outras regiões do pais, sendo esta umas das primeiras empresas a testar a nova área vinícola de Chubutm na imensidão da Patagônia, porem que tem sua produção concentrada nos distritos Mendinhos de Lujan de Cuyo e Maipu. VIÑA EL CERNO
A “boutique winery” faz questão de manter a tradição e, a produção em pequenas quantidades, mantendo um alto controle da qualidade. E que resultado... O Cabernet Sauvignon apresentado na degustação era muito equilibrado e tinha uma longa persistência na boca, como se uma boa lembrança de um momento feliz. Os vinhos destinados a degustação são mantidos em pequenos barricas, das quais são diretamente servidas as tacas. Antes de sorvermos o primeiro gole, nosso guia - um alemão que abandonou a carreira de administrador após se apaixonar por vinho, para o qual atualmente dedica-se de forma integral (qualquer semelhança é mera coincidência...) - demonstrou técnicas básicas de degustação, que o grupo gostou tanto que continuou praticando em todos os momentos que se fez possível, incluindo um jantar de confraternização na noite do mesmo dia – O vinho aproxima as pessoas. Antes de nos despedirmos de minha visita favorita no dia, aproveitei a oportunidade para conversar com alguém que tanto tinha em comum comigo. Sempre se tem muito a conversar a respeito e eu particularmente, sempre muito a aprender com isto.
Marcia Amaral Chile (03/2007)UM PAÍS DE DOIS MUNDOS O Chile é um país muito particular na América Latina. Tem a mesma face multirracial que se encontra em qualquer país Latino-americano, porém comporta-se como se estivesse a uma grande distância. Tem um clima quente que não nos faz esquecer em que região geográfica nos encontramos, porém com infra-estrutura que mais se assemelha a terras muito distantes. Fala a mesma língua que a grande maioria de seus vizinhos e adversários, porém com eles não tem boa comunicação. É um país que conseguiu um espaço importante em vários mercados e com os frutos de seu desenvolvimento ecónomico gerou um desenvolvimento social. Nele sente-se como em uma América Latina que deu certo. Porém, muitos espaços firmados, muitos inimigos feitos. É comum ouvir-se os dissabores de uma rivalidade de seus paises vizinhos. Durante minha primeira fase no país, me estabeleci em um albergue no bairro Providencia, que é uma boa base para quem quer explorar a cidade. A uma estrutura razoável, porém conta com somente um supermercado - que de "super" não tem nada. Foi neste que comprei o vinho mais barato nos últimos tempos. O vinho era razoável, mas considerando o preço (US$2.50)... Busquei várias formas de fazer minhas visitas às vinícolas (chamadas de viñas) e a possibilidade de participar de algum curso, porém não consegui conciliar nenhum evento ao período e, as Viñas pareciam ainda mais distantes que as argentinas em relação a Buenos Aires. CONCHA Y TORO A Concha y Toro é a maior e uma das mais antigas (fundada em 1883) empresas vinícolas do Chile e possui todos os recursos para mostrar a força dos vinhos chilenos, em uma vasta gama de estilos. Seus produtos atendem a consumidores com diferentes perfis, pois produz distintos vinhos de diferentes preços e características. A região do Vale de Maipo é o coração da tradicional vitivinicultura chilena, berço da primeira geração de vinhos de qualidade. Famílias abastadas plantaram vinhas de Bordeux em meados do século XX, e o vale ainda possui grandes propriedades como herança.
Buenos Aires, Argentina (03/2007)ORGULHO NACIONAL
Eu era a única estrangeira no grupo o que me fez um foco de curiosidade. Fui convidada a participar de um curso no dia seguinte que abordaria a produção de vinho artesanal. Adorei a idéia de colocar a "mão na massa" ou mosto melhor dizendo e após uma bem-vinda degustação de vinhos que o próprio C.E.BA. produz, combinamos os detalhes para o dia seguinte. Ao encerrar nossa "eno-imerssão" ficou a confirmação de que para se produzir um produto com potencial de venda no competitivo mercado de vinho, tem-se que empregar as técnicas corretas, usar os equipamentos adequados, conhecer o mercado e envolver-se com dedicação e comprometimento e, se a paixão pelo vinho esta associada, com certeza resultará um bom produto. Até a próxima!
BrasilSURPRESAS NATIVAS O que imaginava encontrar quando voltei para o Brasil eram produtos similares aos que comprava; sem muita regularidade; antes de trocar o país tropical pelo frio cinza da Grã-Bretanha e, um pouco antes de descobrir o vinho como meu caminho. Para minha surpresa eles e multiplicaram muito, acrescentando uma grande variedade e muita qualidade às opções que se dispunha a 5 anos atrás. Parte desta contribuição é de vinhos estrangeiros e outra grande parcela de vinhos nacionais. Vinho continua sendo uma opção cara para o padrão econômico da maioria da população brasileira e, perde em muito para a preferência nacional: cerveja, que cai muito bem nos dias quentes que a grande maioria do país têm, em boa parte do ano. Porém, vêm crescendo a demanda, principalmente para os apreciadores de uma boa comida que têm a bebida como acompanhamento. Muitas foram as surpresas na minha 'redescoberta' do vinho brasileiro, que me mostrou nunca o haver descoberto.
COMO TUDO COMEÇOU O primeiro vinho do Brasil foi produzido em São Paulo, no bairro Tatuapé, em 1551. Ali foram plantadas as videiras que Brás Cubas tentou fazer vingar sem sucesso no litoral paulista. Na metade do século XVI, os portugueses plantaram videiras em locais como Bahia e Pernambuco e os missionários jesuítas no Rio Grande do Sul. O renascimento dos vinhedos no Sul se dá com a chegada dos imigrantes açorianos a partir de 1732 e outro personagem importante foi o inglês Thomas Messier, que em 1814 plantou, pela primeira vez no Brasil, videiras da famosa uva Isabel (Vitis Labrusca) A chegada dos imigrantes europeus ao sul do País é o fato mais significativo da história do vinho brasileiro. Primeiro foram os portugueses (1860), depois os franceses (1865). Mas foram os italianos, herdeiros de uma tradição de mais de 2 mil anos de experiência que, após 1875, o cultivo da uva começou a ter importância.
COMO TUDO CONTINUOU Até os anos 60, não houve grandes transformações ou estímulos por um aperfeiçoamento da produção em termos de qualidade. Um mercado pouco habituado a consumir vinho não exigia muitas atenções. Isso motivou a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul a iniciar uma campanha "Plante Viníferas", com o objetivo de substituir as uvas americanas pelas européias e obviamente melhorar o nível geral dos produtos brasileiros. Depois do sucesso da iniciativa, nos anos 80, surgiram campanhas para aumentar o consumo dos vinhos nacionais com um resultado interessante. Paralelamente, muitas vinícolas desenvolveram a tecnologia e as atenções no cultivo; com o uso de técnicas e equipamentos equiparados àqueles utilizados na Europa e nos EUA; combinadas à profissionalização dos envolvidos no processo. Em novembro de 2002, saiu o que se chama de Indicação de Procedência - Processo anterior à chamada Denominação de Origem - para a região de Vale dos Vinhedos; em Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul; primeira e por enquanto única região demarcada de vinhos no Brasil.
ESTA HISTÓRIA AINDA NÃO TERMINOU Existem vinhedos em várias regiões brasileiras, inclusive nas pouco prováveis como do Nordeste, porém o Rio Grande do Sul ainda acolhe a maioria das vinícolas e detêm o maior nível de produção no país. Relato aqui um pouco do que tive oportunidade de conhecer de três importantes regiões de produção que, destacam-se por uma razão ou outra, no mercado de vinho nacional: Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha, Vale do São Francisco. O crescimento da indústria do vinho brasileiro é notado a olhos vistos e, existe a expectativa de que isto é só um começo ou melhor... um recomeço.
Vale do São Francisco Situação na macro-região geográfica do Nordeste do Brasil, nos Estados da Bahia e Pernambuco. Os vinhedos entre 9° e 10° de latitude Sul - as mais baixas latitudes na viticultura de vinho no mundo. Caracteriza-se por estar em latitudes ao redor de 350 metros, em áreas com paisagem típica da caatinga do sertão nordestino, com uma viticultura localizada em áreas planas, com irrigação utilizando água do rio São Francisco. Região com clima do tipo tropical semi-árido, apresenta ao longo do ano um período seco e um período sub-úmido. Esta característica lhe confere total diferenciação em relação à viticultura mundial. Onde existe a possibilidade que a videira vegete e produza durante os 12 meses do ano, o clima, conhecido no meio científico como clima com variabilidade intra-anual, apresenta três diferentes períodos ao longo do ano: 1) Relativo os meses de junho a setembro, que é chamado de inverno, que se caracteriza por um período seco, sem chuvas, com temperaturas baixas de noite e amenas de dia; 2) Corresponde os meses de abril a maio e de outubro a dezembro, que se caracteriza por período seco, sem chuvas, com temperaturas altas de dia e amenas a noite; 3) Corresponde de janeiro a março, que se caracteriza por um período sub-úmido, com chuvas e altas temperaturas, de dia e a noite. Essas variações possibilitam a obtenção de uvas com qualidades específicas e diferenciadas em função da época de produção. A formação geológica é do período cristalino, hoje também acumulando solos aluviais. São solos de baixa fertilidade.
Campanha A Campanha do Estado do Rio Grande do Sul localiza-se próximo à divisa com o Uruguai, 31° de latitude Sul. Com paisagem típica do pampa gaúcho - formado por campos situados em coxilhas, é uma região que tradicionalmente esteve ligada à exploração de gado e ovelha. Caracteriza-se por estar em altitudes ao redor de 300 metros, com uma viticultura localizada em coxilhas de baixa declividade, facilitando a mecanização dos vinhedos. O solo de arenito tem ótima drenagem e média fertilidade. Região de clima temperado sub-úmido, possuindo verões relativamente quentes e secos em relação ao padrão climático do Rio Grande do Sul, diferenciando-a das demais regiões vinícolas brasileiras, porém, os vinhedos não são irrigados.
Vale dos Vinhedos O Vale dos Vinhedos localizado na macro-região geográfica Sul do Brasil, na Encosta Superior do Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, conhecida como Serra Gaúcha Região em clima temperado, encontrado em grande parte da viticultura mundial, com verões amenos, é de tipo úmido, o que o diferencia a nível mundial, conferindo à uva e ao vinho uma tipicidade regional. Os vinhedos não são irrigados e a videira se desenvolve por regime de chuvas. A formação geológica é o basalto, que deu origem a solos de profundidade média nas encostas. A maioria das vinhas antigas está plantada no sistema latada O Vale dos Vinhedos conta com uma associação de produtores, APROVALE, que gestiona o funcionamento da certificação. Para isso tem um conselho regulador que normatiza a certificação dos vinhos de cada safra.
Aproveitando minha estada no Brasil, procurei experimentar a maior diversidade possível de vinhos nacionais e, os exemplares das três regiões acima citadas foram os que mais despertaram meu interesse. É fácil encontrar um bom vinho com valores entre R$11,00 e R$25,00. O custo é baixo se comparado aos exemplares importados, porém ainda é muito alto para o consumidor brasileiro, sendo uma parte expressiva deste custo composto por impostos, altos para bebidas alcoólicas. Outra forma que busquei de conhecer a produção nacional foi uma visita recente ao Vale dos Vinhedos, em uma oportunidade em que também visitei a FENAVINHO.
FENAVINHO é um evento que acontece a 40 anos em Bento Gonçalves e que é bastante popular. Ela tem programação comercial, educativa e também é um espaço de entretenimento com apresentações e shows, que têm um apelo popular grande. A feira representa o que a região se tornou nos últimos anos, um pólo da viticultura nacional com um forte enfoque turístico.
No dia seguinte minha experiência foi in loco quando visitei duas vinícolas no Vale. As propriedades, com características bem diferentes, foram boas amostras de como os negócios são administrados no Brasil.
Casa Valduga A família Valduga administra os negócios bem de perto. É fácil encontrar um membro da família em qualquer um dos segmentos do estabelecimento (restaurante, pousada, vinícola) - que é sinônimo de sucesso e qualidade, bem como seus vinhos. A visita guiada acontece a cada uma hora nos finais de semana e não exige reserva antecipada. No preço da entrada está inclusa uma taça de vinho para degustação. Iniciamos a visitação pelo 'vinhedo histórico' que tem como objetivo ser uma experiência educativa apresentando as várias castas de uva presentes nos vinhedos da Valduga, com a vantagem de poder-se colher e provar as frutas frescas. Nosso guia era atencioso e gentilmente respondia a todas nossas dúvidas - desde como o enxerto das plantas são feitos O estabelecimento orgulha-se do padrão que atingiu, com produtos para um consumidor seletivo, que não se importa de desembolsar um pouco a mais por um vinho de qualidade. Esta é uma das razões pelas quais é raro encontrar vinhos Valduga nas prateleiras de supermercado. Seus vinhos são excelentes, com destaque para o dueto “Riesling e Chardonnay” e, o vinho espumante “Gran Reserva” - método tradicional. Têm uma boa estrutura para a visitação e vendas. O atendimento é bom e, a única coisa que faltou foi material escrito de divulgação de seus produtos. É clara a satisfação das pessoas envolvidas no empreendimento e a identificação com a marca, que ao que tudo indica terá um processo de expansão lento, sendo a próxima empreitada prevista novamente no exterior, com a possível compra de uma propriedade na Espanha.
Vinícola Miolo As únicas semelhanças que a visita à Miolo teve em comparação a anterior foram que ambas são empresas familiares e, que buscaram a modernização visando a melhoria na qualidade de seus produtos. A Miolo impressiona pelo grau de profissionalização do seu negócio, bem como a forma ambiciosa que este é administrado. Têm unidades produtivas não somente Vale dos Vinhedos, Campanha e Vale do São Francisco, como também em outra localidade da Serra Gaúcha e nos Campos de Cima da Serra. Também mantêm parcerias com empresas do Chile e Espanha para distribuição de produtos. Têm bons produtos em todas as localidades onde produz e, sua produção nordestina tem sido foco de atenção. No Vale do São Francisco são plantadas as variedades Shiraz, Cabernet Sauvignon, Moscatel, tendo produtos de destaque seu Shiraz e também o vinho de sobremesa, Late Harvest. Na região do Vale dos Vinhedos os vinhos da linha de Reserva Miolo (Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay e Sauvingon Blanc), a linha Miolo Seleção (branco e tinto), Miolo Brut (vinho espumante, método tradicional), o vinho lote 43 (elaborado somente em safras de excepcional qualidade), e a Grapa Miolo. Na unidade da Campanha Gaúcha encontra-se a produção de Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Tempranillo, Tannat e Cabernet Sauvignon. É uma empresa atenta ao mercado e que utiliza várias formas de divulgação com um plano de marketing que associa a sua imagem à um produto de qualidade e, quer consolidar-se como "referência do vinho fino brasileiro". Os vinhos são bons em geral. Nos que degustei pude constatar que faltava de um pouco de frescor no “Sauvignon Blanc, Fortaleza do Seival” (Campanha), o que pode ser resultado do transporte necessário da uva ao Vale dos Vinhedos para a vinificação da safra 2005, o que foi solucionado com a inauguração das instalações necessárias para tal na Campanha, em janeiro deste ano. Também me pareceu estranho o aroma e sabor intenso de madeira no “Carmenére, Costa Pacifico 2005” (aliança com a chilena Via Wines), considerando que este não recebeu envelhecimento no carvalho. Antes de nos despedirmos de um dia de visitas, visitei a loja do estabelecimento e comprei um vinho com o valor integral do ingresso como desconto. E o vinho, que não era cara, saiu pelo preço que qualquer consumidor gostaria de pagar no supermercado local. Viva os descontos! A final eu também sou brasileira.
Até a próxima!
Marcia Amaral Califórnia, EUA (janeiro 2007)CALIFÓRNIA O ano apenas começou, porém eu tenho a sensação de já ter alcançado grandes realizações. 2007 é o ano em que meu projeto entre em uma fase importante, muito prática e, decisiva. Claro que viajar, provar vinho, conhecer novas culturas soa muito divertido, e é! Mas assumi um compromisso comigo mesma de fazer desta experiência um desenvolvimento pessoal e profissional que, levo muito a sério. Esta primeira etapa não poderia ter sido melhor. Cheia de surpresas boas a revelar, a Califórnia me encantou. Cheguei a São Francisco no dia 11 de Janeiro, pretendendo ficar 7 dias e depois, continuar a viagem seguindo para Nova Iorque para mais uma semana, esta então como turista convencional. Acabei ficando mais que o esperado na Califórnia, reduzindo minha visita ao lado leste Americano para 3 dias. O resultado final me agradou, pois, o oeste tem muito mais a oferecer - do que realmente me interessa. Os Estados Unidos é um grande produtor de vinho e também, um enorme consumidor. Há nele espaço para fabricação de vinhos em pequenas quantidades (o chamado boutique wine) e também em larga escala, por grandes corporações, que têm em sua marca o maior atrativo. Com o uso de novas tecnologias, irrigação controlada e uma sempre ambiciosa postura no mercado, eles têm consumidores fiéis dos vinhos bons que produzem a um preço atrativo. Sem demérito, muitos deles são bons. Entretanto, eu estava mais interessada naqueles que representassem à verdadeira essência do vinho californiano. O país não possui sistema de classificação, mas possui AVAs (American Viticultural Areas), criadas em 1983, nas quais existem as demarcações por tipo de solo, topografia, clima, mas não há restrição à quantidade de produção ou tipo de variedade cultivada. A área localizada ao norte de São Francisco é conhecida como Wine Country (País do Vinho), abrangendo Sonoma, Napa Valley e suas subdivisões. Ao norte de Sonoma fica Mendocino, que é também uma importante região produtora e, ao leste de Mendocino e norte de Napa Valley localiza-se o distrito de Lake, que vem ganhando reputação. Das subdivisões de Napa, as mais importantes são: Carneros, Napa County, Napa Valley, Oakville, Rutherford, St. Helena, Clistoga, Spring Mountain District, Stags Leap District e Wild Horse Valley. Sonoma é na verdade o lugar de nascimento do vinho californiano, porém Napa é mais bem conhecida. Parte da fama originou-se no reconhecimento da qualidade de seus vinhos - que muitos torceram o nariz (principalmente narizes franceses), que se deu em 1976 quando vinhos da região desbancaram vinhos tradicionalmente bem conceituados em uma competição internacional. Sim, eles foram julgados melhor que vinhos franceses - algo impensável para época. Isto gerou uma revolução para os vinhos originados do "Novo Mundo" - assim denominados os países onde a vinicultura é relativamente nova, tais como Estados Unidos, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Abrindo as portas para um mercado consumidor, que passou a experimentar com curiosidade, vinhos que vinham de lugares pouco convencionais. O assunto ainda é polêmico e, segundo a Decanter News, será o tema de um filme a ser lançado ainda este ano. Abordarei novamente o tema, no relato da visita à Stags' Leap Winery - umas das vinícolas envolvidas.
"CALIFORNIAN WAY OF LIFE" Minha primeira visita a uma vinícola na Califórnia deu-se no estilo 'nativo'. Tive a oportunidade de conhecer não somente o empreendimento como também as pessoas envolvidas nele. Por intermédio de Flavio; um amigo brasileiro que vive na Califórnia a muitos anos e já adotou o Californian way of life (que pelo que vi, difere muito do American...); conheci Caroline Frey. Caroline que trabalha nos negócios da família, nos convidou a visitá-la e generosamente abriu as portas da propriedade para a conhecermos. Frey Vineyards foi fundada em 1980 pelos pais de Caroline (Paul e Beba Frey), boa parte da família trabalha na propriedade e é um exemplo de negócio bem sucedido. Têm seus vinhos produzidos de forma orgânica¹ (são pioneiros no gênero no país) e biodinâmica² disponíveis em vários estabelecimentos comerciais que visitei, oferecendo bons vinhos com valores competitivos. Notas:
¹ Para ser rotulado como orgânico (considerando o novo USDA National Organic Program), o vinho dever ser feito inteiramente de uvas provenientes de vinhedos orgânicos e não podem conter aditivos, tais como sulfitos e ácidos cítricos.
Sulfitos tem sido usado como preservante e antioxidante da produção e vinificação da uva desde o império romano.
Por não conterem nenhum sulfúrio adicionado, vinhos orgânicos estão mais sujeitos a oxidação e degradação que os demais vinhos, particularmente se forem expostos a altas temperaturas.
² O método Biodinâmico, iniciado pelo filósofo alemão Rudolf Steiner em 1924, tem uma visão 'holística', que consiste em trabalhar a viticultura em harmonia e respeitando o ecossistema. 'Demeter USA' é a entidade responsável pela certificação nos EUA.
A propriedade localiza-se 140 milhas de São Francisco, em Redwood Valley - Mendocino, tendo acima desta a nascente do Russian River, importante rio que influência o clima local e que também dá nome a uma das AVAs. Chegamos pouco antes do pôr-do-sol e, fomos imediatamente 'explorar' o lugar. A propriedade não parecia grande, mas era bem organizada, com uma imagem de negócio familiar com engajamento familiar em ambiente familiar. Caroline é uma pessoa carismática, que demonstra grande entusiasmo por tudo, incluindo seu engajamento no negócio da família. Vive de uma forma simples e harmoniosamente em contato com a natureza; assim como toda sua família e amigos; sendo natural a opção por uma cultura orgânica e biodinâmica - bem ao estilo californiano. Ela nos mostrou os vinhedos, vinícola, sala de degustação e, cordialmente separou várias garrafa de vinho para nos presentear. A seu convite, nos juntamos à sua irmã e grupo de amigos para um jantar, que ela preparou enquanto conversávamos e degustávamos o vinho de sua preferência (e do país todo aparentemente): Chardonnay. As companhias eram ótimas, o papo animadíssimo, a comida uma delícia (vegetariana, para agradar a grande maioria) e o vinho, devo admitir muito bom! Com um breve período de envelhecimento em barricas de carvalho, o Chardonnay (2005) lembra baunilha e é um bom representante da casta, na estilo bem americano de produzi-la e apreciá-la. Pude observar o quanto os envolvidos com a viticultura estão buscando o desenvolvimento sustentável do segmento, comprometidos com a qualidade e atentos às tendências, tecnologia e mercado. Entre os exemplares da Frey (Syrah 2005; White Zinfandel 2005; Sauvignon Blanc 2005; Sangiovese 2004; Gewurztraminer 2005), que apreciei em um outro momento, estava uma casta que vêm crescendo em importância no mercado americano: Petite Sirah (2004) - uva de identidade nebulosa, pois parece ter mais de uma variedade envolvida, é fonte de vinhos tânicos, muitas vezes misturada ao menos forte Zinfandel (cepa que é marca registrada do país). Foi uma visita muito agradável e voltei a São Francisco imensamente feliz de encontrar pessoas genuínas e amigáveis com as quais compartilho o interesse pelo vinho. Talvez em níveis diferentes, mas com certeza, similar intensidade.
ENOTURISMO Califórnia é o quarto maior produtor de vinho do mundo, atrás apenas da França, Itália e Espanha. Desta produção, 90% é consumido dentro dos Estados Unidos. Como a demanda interna é alta, os preços em geral são elevados e os vinhos pouco competitivos no mercado externo. São comuns os 'clubes do vinho', que oferecem promoções aos membros, que pagam antecipadamente pela sua participação nestes. Em quase todos os lugares da Califórnia vinho é produzido, do México à Oregon, desde as montanhas de Sierra Nevada ao Oceano Pacífico, pode-se encontrar vinhedos e vinícolas. O deserto parece ser a única exceção. Com uma economia saudável (Califórnia seria a 5ª maior potência se fosse um país independente), um postura moderna em relação a diversos assuntos e uma consciente preservação de sua história, Califórnia é um estado que recorda o passado, desfruta o presente de olho no futuro. A prestação de serviços é muito boa, refletindo o devido valor que ser dá ao dinheiro gerado com este e, à atitude amigável e hospitaleira que os californianos têm - em sua grande maioria. Tudo isto, combinado com um clima similar ao Mediterrâneo, faz deste o lugar de destino para muitos estrangeiros e muitos... muitos americanos. São vários atrativos turísticos, com uma grande diversidade de opções onde todos encontram um motivo para visitá-la. Enoturismo é uma das opções e, muitas vinícolas têm nesta atividade um importante componente de suas receitas - principalmente as de pequeno porte, que vendem toda sua produção diretamente ao consumidor. As visitas podem ser individuais ou em grupo - na grande maioria organizados por agências de turismo. A última foi minha primeira opção de explorar o "País do Vinho". No dia 17 de Janeiro, era o dia de minha excursão às vinícolas com a Extranomical Adventures, Inc.; uma agência que organizava visitas em pequenos grupos (o que considerei ideal, pois evitava uma multidão de pessoas e era mais barato o aluguel de uma limusine - opção de muitos). O grupo era pequeno (11 ao total) e em tínhamos todos - aparentemente - mais de 30 anos. Todos eram casais - com exceção de mim - e em sua maioria americanos, mas também havia um casal de australianos e outro da Escócia.
VIANSA WINERY A primeira visita foi à Viansa Winery na região de Carneros, distante não mais uma hora de São Francisco. Por causa da proximidade à Baía de São Francisco, a neblina da manhã e as frias brisas da tarde são uma influência no clima de Carneros. O solo de Carnero é baixo e denso. Dois tipos de solo estão presentes: argila e aluvião. Estes solos tendem a impactar no vigor das vinhas e suprir com os nutrientes necessários sem um desenvolvimento em excesso. As grandes estrelas de Carneros são Chardonnay e Pinot Noir. Assim como muitos estabelecimentos, Viansa tem suas raízes em uma terra distante, que foi deixada para trás por imigrantes que buscavam na América uma terra de oportunidades. Tem-se a impressão de estar em uma Villa italiana e, assim como no países europeus, a importância do vinho como um acompanhamento para comida e, literalmente visível. Além do vinho, no local são produzidos doces, geléias, molhos que são vendidos no mercado onde também se localiza os bares para degustação dos vinhos e, sempre sugeridos como combinações no cardápio dos vinhos. Após uma breve introdução sobre o local, sua história e atividade, visitamos a adega onde os vinhos madurecem. Tudo era muito voltado para o turismo e, não parecia fazer parte uma vinícola em produção. Fomos então, ao bar para degustarmos 4 vinhos escolhidos pela casa, todos eles com alta graduação alcoólica: 1) 2005 - Arneis - US$ 22.50 (14.3% ABV)
Arneis é a variedade de uva originária da região de Piemont, na Itália. Raramente encontrada na Califórnia.
Apresenta uma coloração amarelo-limão e têm aromas de kiwi, lima e abacaxi maduro.
2) 2004 - Prindelo, Sonoma County - US$ 35 (15.5% ABV)
Apresenta uma cor púrpura. Este é um vinho de corte, com aroma de amoras.
Na boca é seco e com tons de chocolate.
3) 2005 - Imbianco - US$ 11 (15.6% ABV)
Vinho para sobremesa, feito a partir de 99% da uva Aleatico e 1% da Teroldigo, tem um delicado sabor de morangos, melão e bergamota.
4) 2005 - "Pocamio" Aleatico - US$ 19.50 (14.5% ABV)
Aleatico é uma varietal rara. Semi-Seco com pronunciado aroma de morango e amora.
É um vinho macio, pronto para beber.
Fiquei intrigada com os vinhos semi-doce e doce, que tinham alto teor de graduação alcoólica. Perguntei a sommeliére que nos atendia se se utilizavam Chapitalization (adicionar açúcar) e, ela me respondeu evasivamente que eles interrompiam o processo de fermentação, deixando açúcar residual. Bem, como a grande maioria dos vinhos apresenta graduação alcoólica superior a 14% do volume, me deu a entender que as uvas da propriedade produzem um açúcar natural fora do comum... Antes de embarcarmos no veículo para continuar nossa jornada, pude observar os funcionários da propriedade (que são contratados exclusivamente para este serviço sazonal), realizando a poda de inverno no vinhedo.
MADONNA ESTATE A segunda visita foi à Madonna Estate, também em Carneros. Este estabelecimento; que está na quarta geração de uma família descendentes de italianos, presentes nos Estados Unidos desde 1913; produz vinhos orgânicos e praticam um sistema pouco convencional para a região da Califórnia: Dry Farming (Agricultura Seca). Neste sistema não se utiliza irrigação, necessária na região devido à baixa precipitação de chuva. A irrigação é utilizada somente no primeiro ano de crescimento da vinha e depois é suspenso, ocasionando um 'estressamento' da planta que, em busca de água no subsolo, tem uma concentração dos sabores na uva, que apresenta bagas pequenas. Para facilitar o processo, é utilizada como base a casta 'St. George' que é não somente resistente à seca como também à Phylloxera. O início da visita deu-se na área onde os vinhos estão estocados e repousam em barricas de carvalho (americanos ou franceses, dependendo das influencias esperadas no vinho). Enquanto nosso guia - um experiente conhecedor do assunto - explicava o sistema de produção do estabelecimento, um outro funcionário da vinícola preenchia as barricas com vinho, necessária devido ao natural processo de evaporação que o vinho sofre. Um comentário esclarecedor foi em relação à expressão "Estate" constante nos rótulos dos vinhos, que identifica um produto cujas uvas são exclusivamente provenientes da propriedade, sendo que quando não mencionada pode indicar que as castas foram vendidas à vinícola por outros produtores da região. Os vinhos, bons exemplos da qualidade que uma produção orgânica pode oferecer, foram degustados na sala reservada para tal e que divide espaço com a loja de produtos do estabelecimento (seguindo o modelo da grande maioria das vinícolas): 1) 2004 - Estate Chardonnay - US$ 24.50
Fermentado em barris de carvalho francês, este vinho têm um período de repouso em seu sedimento (sur lie), apresentando uma sensação cremosa na boca e aromas de pêra e maçã.
2) 2004 - Estate Pinot Noir - US$ 28.50
O vinho tem envelhecimento de nove meses em barricas de carvalho, que é notado na boca, tendo um aroma de frutas vermelhas.
3) 2001 - Estate Cabernet Sauvignon - US$ 34.00
O produto tem seu esmagamento e fermentação em tanques de aço inoxidável e após, envelhece em barricas de carvalho por 18 meses.
Apresenta aromas de amora, cassis e baunilha.
4) 2005 - Estate Riesling - US$ 21.00
Um vinho para ser bebido jovem que apresenta aromas florais com características de pêssego, pêra e mel.
De um total de 13 vinhos do catálogo apresentado, 2 já tinham sido completamente vendidos e somente 9 eram vendidos exclusivamente na propriedade, restando 2 para venda externa com adição de custos de impostos e transporte.
KIRKLAND RANCH WINERY Kirkland é uma propriedade em Napa Valley que mais lembra o estilo do 'velho oeste'. Os proprietários, que eram pecuaristas antes de descobrirem o grande filão que a viticultura poderia ser na Califórnia, mantiveram o estilo 'cowboy' no estabelecimento e os animais empalhados decoram a sala de degustação. Como é de se supor, não são adeptos da produção orgânica e biodinâmica tampouco. Em um estilo "sem rodeios" fomos direto a sala de degustação onde provamos alguns vinhos. O pouco que se soube sobre a propriedade, foi pelas informações repassadas pelo nosso motorista-guia e, pela visitação (auto-guiada) entre os corredores do prédio principal onde, entre fotos de atividades da época que os negócios eram a agropecuária, encontram-se as janelas onde se pode visualizar a vinícola, moderna e bem equipada. A história da Kirkland é semelhante a muitas outras na região, onde fazendeiros e ou outros detentores de um capital alto que vislumbraram o potencial da região para a vitivinicultura, buscaram formação técnica e apostaram seus recursos na atividade. Investimento alto é uma característica local, que é necessário em um localidade cada vez mais valorizada pelo prestigio que o território têm e pela demora no retorno do valor inicial aplicado. Para estabelecer um negócio no "novo oeste" é preciso estar "montado", não no cavalo, mas em dinheiro. Os exemplares apresentaram foram: 1) 2003 - Kirkland Ranch Chardonnay Napa Valley - US$ 20.00
É um 'estate wine' que envelhece 12 meses em barricas de carvalho e repousa em seus resíduos resultando em um vinho com sabor de baunilha e com aromas cítricos e de maçã.
2) 2002 - Kirkland Rach Sangiovese Napa Valley - US$ 20.00
É um vinho de corte (90% Sangiovese, 10% Merlot). Recebe 24 meses de carvalho e apresenta um aroma defumado e especiarias. Sua cor não é profunda e é leve em taninos.
3) NV Agape Late Harvet Wine Napa Valley - US$ 40.00
É um vinho de sobremesa, feito a partir de uvas Semillon e Sauvignon Blanc afetadas pela 'noble rot' (podridão-nobre), que mistura mais de um ano de colheita (non-vintage).
Tem um bom equilíbrio e apresenta aromas de pêssego maduro, abacaxi e frutas tropicais.
4) 2002 - Kirkland Ranch Estate Syrah - US$ 30.00
É envelhecido por 20 meses em barricas. É um vinho intenso em aromas e sabores, com características de especiarias, chocolate e baunilha.
5) 2002 - Kirkland Ranch Pinot Noir Napa Valley - US$ 32.50
Este vinho foi uma escolha pessoal e não decepcionou. É um bom exemplar da cepa, com aroma de ameixas e na boca apresenta cereja com uma finalização de baunilha, especiarias e madeira.
Após esta visita encerramos nosso dia no "País do Vinho" e, o grupo - satisfeito com a experiência - retornou a São Francisco após 7 horas de passeio.
UM DIA ESPECIAL Dia 20 de Janeiro; um sábado ensolarado (nada surpreendente e extremamente agradável) com clima ameno para um inverno inesperadamente frio; rumei novamente ao "País do Vinho" para realizar as visitas que me fizeram postergar meu bilhete aéreo, que estava marcado para deixar São Francisco no quinta anterior. Com visitação agendada em duas vinícolas, uma para as 11h30minh e outra às 14h30min, tive tempo de incluir outra após estas e, fazer pic-nic entre vinhedos no almoço. Sempre na companhia do meu amigo brasileiro Flavio. Escolhi cautelosamente os lugares que gostaria de visitar no meu último dia na Califórnia. O primeiro por indicação de Alder, cujo mantêm um excelente blog sobre vinhos, que me indicou Piña Cellars - entre outras vinícolas. A segunda vinícola foi por motivos históricos: Stags' Leap Winery. E a última foi por um interesse espontâneo que surgiu ao conhecer um casal que visitava Piña, que trabalhava esporadicamente na Robert Sinskey Vineyards e, demonstravam compartilhar da mesma paixão pelo vinho. Uma reserva antecipada é aconselhável ou, certificar-se do horário de funcionamento para evitar desapontamento. Alguns estabelecimentos não cobram a visita ou degustação, neste caso espera-se que você compre algum produto, que pode ser caro em comparação às outras vinícolas. As vinícolas que visitei ficam na Silverado Trail onde mais de 35 propriedades espalham-se pela rodovia que corre paralela a rodovia estadual "29". Em torno de 25 diferentes castas são cultivadas na região, sendo Cabernet Sauvignon a principal estrela. Nomes conhecidos e prestigiados estão no percurso que a rodovia tem, tais como Mumm; Clos Du Val e Stag's Leap - que dá nome a uma das AVAs. O cenário é bonito, tem seu lado oeste mais elevado com algumas formações rochas derivadas de uma época em que existiam vulcões na região e o clima apresenta quase 10°C de diferença entre o dia e a noite.
PIÑA CELLARS
Fomos recebidos na vinícola por um jovem rapaz, que já acumula muita experiência na área e atualmente estuda vinicultura, com projetos de ter uma experiência de trabalho na África do Sul.
O negócio é familiar, porém há um interesse de buscar jovens profissionais no mercado - como no caso de nosso anfitrião - que tragam novos conhecimentos e experiências. Piña tem sua atividade dividida: numa que corresponde ao vinhedo e outra à vinícola, com administração diferente e cada uma com seus próprios funcionários. Buscam com isto, focar a atenção necessária a cada uma em particular.
A visita iniciou com degustação de exemplares de seu excelente Cabernet Sauvignon: 2004, 2005 e 2006 - sendo os dois últimos extraídos diretamente das barricas. Foi impressionante constatar o bom equilíbrio que o vinho apresenta, com uma maciez do tanino rara para vinhos tão jovens. Esta é uma peculiaridade desta região de Napa Valley e é muito bem aceita, pois proporciona um prazer imenso de apreciar um vinho jovem de uma casta que normalmente leva anos para apresentar um corpo médio. A visita poderia resumir-se a isto - o que não estava mal - porém; ao observar nosso genuíno interesse pelo assunto; fomos convidados a uma 'tour' pela propriedade na companhia de nosso guia que atenciosamente respondeu às minhas dúvidas e curiosidades (sempre, sempre muitas).
Piña tem uma produção relativamente pequena e assim quer se manter, preservando a qualidade de seus produtos. Entretanto, tudo tem seu preço.
Comprei um exemplar do Cabernet Sauvignon (2004), que não foi barato (US$ 74) e representou bem o conceito de boutique wine.
A visita demorou mais de 2 horas e já era hora de nos despedimos.
Procuramos um bom lugar para um Pic-Nic e, entre os vinhedos fizemos nosso almoço, recarregando as energias para mais as próximas visitas.
STAGS' LEAP WINERY
Diz a lenda que um cervo (stag); que fugia de indígenas que o perseguiam nos morros rochosos que fazem fundo para o cenário deslumbrante da vinícola Stags' Leap; saltou (leap) de um morro a outro deixando os índios para traz. Esta é uma das versões para a origem do nome deste prestigiado lugar em Napa Valley e, muitas foram as controvérsias pelo direito ao uso deste nome.
Desta localidade que saiu o prestigiado vinho Stags' Leap (1973, Cabernet Sauvignon) que enfrentou Bourdeux na famosa competição "1976 Paris Wine Tasting". Os franceses, não convencidos de terem sido derrotados, argumentaram que seus exemplares não haviam atingido sua plenitude pois, precisavam de alguns anos para amaciar os taninos. O que é uma característica natural dos representantes californianos, que tem um corpo macio em taninos ainda jovens.
Para esclarecer qualquer injustiça ao vin de Bourdeaux, outra competição às cegas foi realizada 30 anos depois e, o vencedor do ano passado foi: oui, oui... os californianos.
A propriedade, cheia de história e estórias, foi vendida parcialmente e ao novo dono coube um bonito e prestigiado lote de terras e... o nome original. Ao antigo dono ficou o lote de terras que produziu o famoso vinho e uma luta na justiça pelo direito ao uso do nome que o consagrou. Resolvido o impasse, as duas denominações mencionam a lenda porém, de forma diferente: o original denomina-se Stag's Leap Wine Cellars e o novo Stags' Leap Winery .
Visitei a vinícola do mais novo proprietário porém, a mais antiga, onde toda estrutura original foi restaurada - preservando suas características - e uma outra nova foi adicionada. Fomos recebidos em uma ampla sala onde nosso guia contou um pouco da história do lugar e onde degustamos 4 exemplares de seus vinhos:
Encerramos a visita explorando o local, com um copo de vinho na mão enquanto o sol se preparava para sumir no horizonte. Que dia!! E ainda não havia terminado...
ROBERT SINSKEY VINEYARDS
Durante a degustação à Piña Cellars, com pouquíssimos visitantes dividindo o espaço conosco, tivemos o privilégio de ter a companhia agradável de um casal (ela brasileira e ele americano) que foram muito amáveis e nos convidaram para visitá-los em uma vizinha vinícola na qual trabalham ocasionalmente.
Foi assim que descobrimos a Robert Sinskey Vineyards (www.robertsinskeyvineyards.com), um produtor de excelentes vinhos orgânicos no distrito de Stag's Leap, que originalmente pretendia focar sua atenção exclusivamente ao Pinot Noir, porém, rendeu-se ao clamor da terra (como o proprietário mesmo declara) e rendeu-se ao rei da região: Cabernet Sauvignon. Felizmente continua produzindo ambas, além de outras castas - todas de forma orgânica, não somente por ser ecologicamente correto como também por acreditar que esses vinhedos produzem vinhos melhores e com sabores mais vibrantes. Eu acredito também: o Pinot Noir da vinícola foi o melhor que já provei!
O ambiente é informal e extremamente agradável, onde você sente-se como se estivesse em uma confraternização entre velhos conhecidos. No bar de degustação tivemos o acompanhamento perfeito de canapés, preparados pela esposa do proprietário, Maria Helm Sinskey, que é a diretora de culinária do estabelecimento, autora do livro "The Vineyard Kitchen", e uma chef de mão cheia.
Muitos das pessoas que auxiliam no 'bar' da vinícola, o fazem esporadicamente e têm outras atividades também relacionadas ao vinho. Entre uma conversa, um gole de vinho, um canapé, o tempo foi passando e o bar fechou, então era hora de ir embora.
Despedimos-nos de nossos 'recém-velhos-conhecidos' e seguimos nosso caminho de volta a São Francisco.
A visita foi tão agradável que esqueci de anotar informações dos vinhos que degustamos (além do Pinot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc), porém ainda lembro do equilíbrio, aromas e frutas que navegaram pela minha boca. Ficaram as lembranças dos sentidos, o que em minha opinião... é o melhor da experiência com vinho.
Despedi-me da Califórnia no dia posterior, cedo da manhã pois meu vôo para Nova York partia às 07h30minh. Não tive tempo de aproveitar o domingo de mais um lindo dia ensolarado e agradável do inverno no oeste. Porém levei comigo todas as cores, sabores e cheiros que consegui assimilar em minha estada.
Visitar a Califórnia mudou meu 'pré-conceito' em relação aos californianos em geral, inclusive os vinhos. Ficou a certeza de que não se pode julgar algo que não se conhece.
Nice to meet you, California!
Marcia Amaral
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